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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Passepartout

Entre o limite da “Arte Prática” e da Transgressão

Miria Lima e Pedro de Paula


Hoje à noite coloquei, mais uma vez, minhas mãos contra a matéria – o muro.


Realizei outra “ofensiva selvagem”... Como norma, operava o labor plástico grafitado.

O vazado, a sutura e o corte da pele, revelam a ação contra a “ordem estabelecida”. Descobri que o contato com a superfície mural é limite e que o desejo de liberdade gera o ato de descolar o que ela reproduz, sem interferência. Percebi que a cidade é um sampler de grafites articulados em um mesmo som. Lembrei que o muro pode também desmoronar, ao mesmo tempo que é suscetível de receber modificações infinitas, fazendo emergir dali suas próprias expressões. Tento compreender suas imagens grafitadas...

Willyams Martins

_ Os cartazes colados nos muros onde antes só havia tinta spray são bem claros: “Williams Martins, Ladrão de Grafitti: o artista plástico Williams Martins, em um ato de extremo egoísmo para com a população, arranca das ruas trabalhos de arte feitos pelos outros, privatiza a obra e assina embaixo”. Completam a mensagem um cifrão ($) em letras garrafais, o link para se interar com a questão - www.artistapratico.blogspot.com - e um aviso para o artista: “se não tem talento, não f... com quem tem!”.

_ A causa de tanta polêmica foi “Peles Grafitadas”, trabalho do artista plástico Williams Martins desenvolvido durante o mestrado em Artes Visuais na Escolas de Belas Artes da Ufba. Ganhador do prêmio Braskem Cultura e Arte 2006 e do Salão de Arte em Juazeiro, “Peles Grafitadas” aconteceu em Juazeiro, Valença, Alagoinhas e Salvador, com fragmentos de grafites de cada uma das cidades. A obra de Williams despertou a ira de alguns grafiteiros baianos e provocou discussões sobre direitos autorais, utilização dos espaços público e privado, arte de galeria versus arte de rua e até sobre o próprio caráter do movimento grafite, ou grafitti, como grafam seus integrantes.

_ O trabalho de Williams consiste em “deslocar vestígios, depoimentos, signos colocados no espaço público por anônimos e trazer para o outro contexto”, explica Roaleno Costa, orientador de Williams e diretor da Escola de Belas Artes da UFBA. O artista construiu o que chama de “Poética do Deslocamento”: seleciona uma imagem pelos muros da cidade e prega um tecido de nylon com resina de poliéster na parede onde a imagem se encontra. Depois de colocado e seco, retira essa imagem cuidadosamente com espátulas e martelos para que a pele da tinta seja retirada da parede junto com o tecido. Aí basta enquadrar e colocar dentro da galeria.

_ Apesar de “Peles Grafitadas” ter acontecido durante o ano de 2006, apenas em setembro de 2007 os protestos dos grafiteiros vieram à tona, principalmente através do blog “Artista Prático” - www.artistapratico.blogspot.com. Lá, além de ameaças pessoais e fotos de trabalhos “roubados” por Williams, encontram-se supostas correções ao conteúdo veiculado pela mídia sobre o assunto e reflexões dos blogueiros: “Ao arrancar a obra da parede, você esta matando a arte, pois que saibam os leigos: arte urbana vai além de uma mera pintura na parede, sua composição é conseguida através do local em que ela se encontra, interagindo com elementos urbanos. Mas parece que nem Roaleno Costa, nem Williams Martins tenham a mínima idéia disto”.

_ Nenhum dos grafiteiros entrevistados pela Lupa soube identificar o autor do blog, que, desde setembro de 2007 até o fechamento desta matéria, não é atualizado. Houve até quem dissesse que foi criado por artistas vinculados ao grupo de grafiteiros zeroseteumcrew, mas estes negaram a autoria quando procurados para falar sobre o caso. Outros grafiteiros chegaram a promover formas diferentes de protesto, como o da madrugada do dia 14 setembro, em que, com a ajuda de músicos e simpatizantes, se reuniram na Praça do Campo Grande para uma passeata.

“Cadê o respeito do artista pelo outro?”

_ José Nildo Silva Mendes, 28 anos, o Lee27, grafiteiro há mais de 14 anos, teve um braço de Exu arrancado de um trabalho seu. Ao se deparar com o fragmento de seu grafite no folder da exposição de “Peles Grafitadas”, sentiu-se desrespeitado. “Quando alguém se apropria de algo que não lhe pertence, isso é grave! Já pensou se todo grafiteiro se apropriasse de um trabalho de Bel Borba ou Tatau que tivesse na rua? Onde estaria o respeito do artista pelo outro artista?” Ele afirmou gastar, em média, 500 reais em cada painel, e nem sempre obtém retorno financeiro, já que muitas de suas obras estão expostas gratuitamente pelas ruas da cidade. “Tento sobreviver do grafite: viajar, participar de encontros, palestras, workshops, mas é difícil”, afirma Lee27.

_ Para Marcos Costa, defensor da profissionalização do grafite, grafiteiro e estudante do nono semestre da Faculdade de Belas Artes da UFBa, faltou embasamento teórico no trabalho de Williams, visto que os trabalhos não são anônimos e, de certa forma, é fácil identificar os autores dos grafites, que sempre assinam suas obras colocando e-mails e sites para contato pessoal. “Williams se antecipou e não deu os créditos dos autores das obras que transpôs para a galeria”, afirma.

_ Marcos acredita que a pesquisa de Williams teria sido bem sucedida se ele tivesse atentado mais a esses aspectos. Em relação à indignação dos grafiteiros, considera válida, porém condena o estardalhaço que não leva a lugar algum: “depois não chamaram (Williams) para apresentar uma proposta para o bem de todos, para uma discussão sobre direitos autorais”, argumenta. Marcos teve uma assinatura sua descolada e, ao invés de tentar resolver o assunto com protestos, foi conversar pessoalmente com Williams. Na sua opinião, o mais correto seria Willians ter entrado em contato com os autores das obras para dar créditos aos grafiteiros e ter realizado uma exposição de caráter coletivo.

Transgressão às avessas

_ Os prêmios ganhos por Williams (R$ 40.000 no Braskem Cultura e Arte e R$ 5.000 no Salão de Arte de Juazeiro, ambos em 2006) despertaram o ódio de alguns grafiteiros, que o viram alcançar a mídia e os salões de arte com fragmentos retirados de seus trabalhos. Enquanto muitos grafiteiros se dizem contra “o injusto sistema de Salões, que premia quem tem a maior quantidade de amigos poderosos” (retirado do blog “Artista Prático”), outros reconhecem originalidade em “Peles Grafitadas”. No entanto, todos os entrevistados concordaram que faltou para Williams a vivência do movimento grafite soteropolitano, o qual é formado por diversos grupos, a exemplo de zeroseteumcrew e Oklancrew. Estes “clãs” interagem numa ambiência urbana onde todos os grafiteiros se conhecem, compondo um universo artístico multifacetado, em que há espaço para concordâncias e divergências.

_ Por sua vez, Roaleno Costa defende seu orientado afirmando que apenas cinco dos fragmentos retirados das ruas que compõem “Peles Grafitadas” são pedaços de grafites. “O resto é parede suja, é pichação, são coisas que não são absolutamente autorais. E eu acho que esta é a melhor parte do trabalho dele, porque grafite acontece e fica mais bonito na rua do que colocado dentro da galeria. Mas não deixou de trazer essa discussão à tona, sobre espaço público e tudo mais”, diz o diretor.

_ Roaleno ressalta que o trabalho de Williams traz uma nova discussão para o movimento grafite de Salvador: “muito das discussões sobre a problemática do grafite e dos grafiteiros que vieram à tona a partir desse trabalho de Williams, já foram feitas no Brasil vinte anos atrás, em São Paulo. Então, o grafiteiro de Salvador está agora vivenciando uma situação que explodiu a partir do trabalho de Williams”, argumenta. Para ele, a novidade é que a transposição do grafite para a galeria reacende o espírito contraventor do grafite, porém ao inverso. “Como o grafite não está mais se sustentando nessa transgressão, porque já foi absorvido pelo sistema, na hora em que Williams faz o inverso, ele comete um ato transgressor às avessas. E esse ato transgressor incomodou muito aqueles que há algum tempo eram os transgressores (os grafiteiros) e que deveriam ter continuado sendo, mas fizeram concessões demais.” Ele ainda alerta que o grafite comportado, seja em parcerias com instituições públicas e privadas ou exposto em galerias, deve tomar cuidado para não perder as principais características do movimento.

_ Em seu site, www.martins.art.br, de onde foi retirado o texto que introduz essa reportagem, Willians disponibiliza vídeos do programa Soterópolis da TVE Bahia sobre a polêmica e registro das primeiras remoções das peles. Também publicou fotos do processo técnico de fabricação das telas, que vai desde o enquadramento da imagem desejada até a montagem da tela, além de disponibilizar a sua dissertação. O que se percebe é que “Peles Grafitadas” foge aos padrões de comportamentos acadêmicos, trata-se de algo transgressor – uma característica do grafite – não comportado, anti-conservador, que envolve riscos e questionamentos. Apesar de ter desagradado um movimento artístico de grande aceitação popular, como é o movimento grafite em Salvador, Williams recorreu a uma das características principais da obra de arte: causar polêmica e reflexão na sociedade.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Lançamento - Lupa 3 (21/11/2007)

Lupa 3



Nessa quarta-feira, 21 de Novembro, aconteceu o lançamento da revista Lupa nº 3 na Faculdade de Comunicação da UFBA. A revista foi produzida pelos alunos da disciplina Temas Especiais em Jornalismo Impresso 2007.1, do curso de Jornalismo.

A sua distribuição é gratuita.

Veja as fotos:

Samuel Barros, estudante de jornalismo, entregando a lupa na Facom.


Capa da Revista Lupa 3 exibe o repórter, Zé Bim, personagem da matéria "Pátio dos milagres".

Estudantes da Facom garantem o seu exemplar e analisam o material.




Estudantes admiram a arte gráfica da nova lupa.

O diretor da Facom, Giovandro Ferreira, prestigia a revista.

Graciela Natansohn, editora-chefe da revista lupa, conferindo a 3ª edição.

Decoração feita com origamis chama atenção durante a distribuição.
(fotos: Marcel Ayres)


Neste número, chineses e japoneses nos contam o que os trouxe de terras tão longíquas. Investigamos porque as revistas regionais não vingam. Assistimos os telejornais locais e, entre risos e choros, acompanhamos a rotina popularesca de seus principais figurões. Uma entrevista com Roger N' Roll, comandante das noites de sexta-feira, com a sua borracharia nada convencional. Ainda nesta edição, gays e lésbicas contam o que têm que enfrentar na escola, maldito preconceito, em pleno séc. XXI. Contra tabus e violência sexista, há muito o que ser feito em matéria de educação. E também, estudantes que ousam mudar de curso, artistas que invadem as ruas, tattoo, ensaio fotográfico e algumas pestes literárias.

Faculdade de Comunicação da UFBA
Salvador, Bahia - Brasil

Contato:
Tel: (71) 3263-6174, 3263-6177

E-mail: lupa.facom@gmail.com - lupa.revista@gmail.com
www.facom.ufba.br



Em breve, Lupa 4.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Lupa na Carta Capital

1968, juventude e militância

Emiliano José

Este é um ano que 1968 volta à cena. Outra e mais uma vez. É o aniversário de 40 anos. 1968 já é um senhor respeitável. Com este senhor, o eterno retorno de um debate: o papel da juventude. E nessa discussão emerge sempre um acentuado saudosismo, que atinge tanto os mais velhos, aqueles que viveram aquele ano mágico-redentor, quanto os mais jovens, de alguns dos quais já ouvi o lamento por não tê-lo vivido. Alguns lamentam não ter tido a chance de ter nascido numa época em que pudessem enfrentar a ditadura.

Viver sob uma ditadura, creiam os mais jovens, não é uma experiência agradável. Muito ao contrário. O melhor mesmo, com todas as suas imperfeições, é a democracia. Não há um modo político que a substitua com vantagem. E não há a possibilidade de comparar épocas tão distintas – aquela, quando vivemos sob um regime de terror e medo, e esta, depois de 1985, quando o País pôde respirar, quando as contradições, bem ou mal, puderam ser enfrentadas à luz do dia.

Eu dizia, esses dias, em entrevista dada a Samuel, estudante da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia que fazia matéria para a revista Lupa, produzida pelos alunos, tratar-se de uma ousadia alguém tentar interpretar a atividade política da juventude dos dias atuais já tendo chegado à casa dos 60 anos de idade. Corria um risco muito grande, inclusive, talvez, o do saudosismo, pois, afinal, havia participado decisivamente do movimento estudantil de 1968.

Além disso, depois me dedicara à luta contra a ditadura, já clandestino, militando na Ação Popular, organização marxista que defendia a luta armada. Eram interpelações feitas a mim mesmo, para que evitasse esse saudosismo, que condeno. Não é que não se deva valorizar tudo o que foi feito naquele ano tão cheio de promessas, de expectativas redentoras – tudo o que ele representou como um momento de semeadura de sonhos, de esperanças, de utopias. Deve ser lembrado assim, à Walter Benjamin, como um ponto luminoso do passado, trazido ao presente, para que sejamos capazes de prosseguir em busca daqueles mesmos sonhos, em outras condições e circunstâncias. LEIA MAIS



Em breve, LUPA 5.


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Meio e Mensagem

Novo Correio da Bahia chega às bancas

por Ana Camila

_Hoje foi o comentário na cidade. Na Facom, quase todo mundo estava com a primeira edição do novo Correio da Bahia, o jornal pro qual todo mundo torce o nariz. A expectativa não era assim tão grande, afinal de contas o Correio tem toda uma história de descredibilidade da qual não vai se livrar fácil assim. Mas convenhamos, a nova versão do periódico é um jornal que se pode ler.

_Já não é mais Correio da Bahia, mas só Correio* (sim, com esse asterisco do lado). Já não é mais no formato tradicional, mas no berliner. Já não é colorido só em algumas páginas, mas em todas. A arte gráfica mudou completamente. E o editorial avisa: trata-se agora de um “jornal plural, democrático e comprometido com o desenvolvimento econômico e social”, e tem como meta atingir um número maior de leitores, dando um “passo importante para consolidar, no meio jornal, a liderança absoluta que já conquistou em TV e rádio”. Modestos como sempre. Agora o Correio diz que publica “o que a Bahia quer saber”.

_Verdade seja dita, o Correio está transformado. Quem disser que ainda vai preferir ler o A Tarde, grandão daquele jeito, fraquinho cada dia, será apenas por fidelidade ideológica. Não é que o Correio esteja, agora, melhor que o A Tarde, mas voltou a estar no páreo. Liderada pelo jornalista Rodrigo Cavalcante, a nova equipe do Correio eliminou algumas editorias, criou outras mais abrangentes e investiu numa linguagem que considera adequada aos “leitores dos tempos modernos”.

As novidades

_A primeira nova editoria é a “24 Horas”, com as últimas e mais relevantes notícias do dia anterior nas categorias Salvador, Brasil, Economia, Mundo, Esporte e Entretenimento. O texto priorizado aqui é o de nota, textos curtos e rápidos de ler, todas as informações escritas de forma curta e grossa, pra não ter desculpa de falta de paciência por parte do leitor (moderno, segundo eles).

_A editoria “Mais” se pretende ser uma parte com reportagens que sugerem a análise dos fatos, mas não é bem isso que acontece. É apenas a editoria na qual as matérias e reportagens continuam a existir, mantendo algum espaço, já que agora o que vale são as notas, textos curtos e notícias rápidas. Boas matérias pertencem a essa editoria, no fim das contas, como a que trata da questão de insegurança na UFBA, assunto que virou agenda na mídia baiana nos últimos dias, e a que fala sobre os roubos que os instrumentistas baianos sofrem também por esses dias. Mais ou menos no mesmo tema está a matéria sobre a degradação do patrimônio de azulejos em Salvador, vítima de vandalismo e descaso. Também esta editoria está dividida nas mesmas categorias de “24 Horas”. E em “Salvador”, quando o tema é eleições municipais, adivinhem só... ACM Neto é o cara, Imbassahy é o homem do mau, João Henrique é rejeitado e Walter Pinheiro talvez um dia tenha atenção de alguém. É, algumas coisas nunca mudam...

Jornalismo cultural é nulo

_“Vida” é o nome da editoria de cultura, comportamento e lazer. Infelizmente esse é o caderno mais mal aproveitado do novo Correio. Suas 14 folhas contam com apenas duas matérias (uma sobre as academias dedicadas apenas ao público feminino e outra sobre os fãs de João Gilberto que acabaram com os ingressos à venda do seu show no TCA em 41 minutos), e o resto é todo dedicado a trivialidades como divulgação dos mais caros réveillons de Salvador (meu deus, estamos em agosto ainda), uma retrospectiva dos 30 anos do Correio (cof cof), um perfil de Murilo Benício (sou só eu ou alguém mais quer saber por que Murilo Benício?) e uma nota sobre a Oi Fashion Music. O resto é o de sempre: programação de cinema, televisão e alguns poucos eventos que acontecem na cidade, em geral aqueles dos quais já ouvimos falar. Nada de comentários sobre livros, shows, filmes, peças ou outros espetáculos, nada de colunas que não a coluna social – com exceção, devo mencionar, da coluninha do Hagamenon Brito, o melhor colunista baiano, em minha opinião, sobre o fenômeno João Gilberto. Trocando em miúdos, o novo Correio em nada contribui para o jornalismo cultural na Bahia, que é tão pobre e mal aproveitado nos jornais impressos do estado. Lástima.

_A surpresa ficou mesmo com a editoria de Esporte. Suas 14 folhas estão repletas de notas e matérias que dão atenção não somente ao futebol baiano, nacional e mundial, mas a outros esportes como o surfe, o ciclismo e o rali. O caderno de Esporte está repleto de informações por todos os lados também em forma de notas na parte superior das páginas, abrangendo o mundo do esporte por toda a Bahia, Brasil e mundo. Organizado e interessante, acaba tornando o caderno menos chato pra quem não está nem aí pra esporte.

Versão online

_O site do Correio também mudou, mas não tem muita coisa por lá. O que mudou mesmo foi o visual, que acompanha a mudança do impresso, mas ainda tem que comer muito feijão com arroz pra ser um portal de referência no jornalismo baiano. Notícias de última hora são publicadas na editoria “24 horas” O destaque vai pro fato de a versão impressa poder ser lida gratuitamente através do site, e do investimento em blogs, uma tendência dos sites dos grandes jornais. O jornalista Hagamenon Brito ganhou um blog (graças a deus), o que despreocupa os fãs da sua agora extinta coluna “Parabólica”, já que parece que o blog manterá a mesma linha. No mais, o site interage com os leitores através de enquetes, fóruns, abusa de vídeos e fotos, permite comentários nas notícias, mas o clima é ainda de experimentações e testes, nada muito expressivo.

_Em tempo: o Correio, nos dias de semana, custa apenas 1 real. Não é por nada, não, mas quem ainda compra jornal vai preferir dar 1 real num jornal com formato berliner, colorido e bonitão a dar 1,75 no velho A Tarde. Dizem que o Correio não está querendo roubar os leitores do seu principal concorrente, mas atrair novos leitores. Quem tá comendo essa história? Resta saber agora como será o Correio do fim de semana, o que ele fará com cadernos bacanas como o Correio Repórter, por exemplo, e que outras surpresas trará. Pro bem do jornalismo baiano, esperamos que sejam surpresas boas.

Meio e Mensagem

Na pior das hipóteses, o mais bonito da Bahia

por Tarcízio Silva


_E o incensado novo Correio da Bahia foi lançado. Na Faculdade de Comunicação da UFBa, os comentários dos proto-jornalistas eram variações sobre “virou revista”. A qualidade gráfica, que não é nada tão excepcional em termos absolutos, incomum no jornalismo do estado foi o motivo do espanto. Mas nem toda revista é especializada e nem todo jornal é 80% texto e 20% foto p&b borrada, apesar do que faz(ia?) crer o jornalismo impresso baiano.

_Seguindo o clima de renovação da reforma editorial (ver matéria de Ana Camila), o Correio da Bahia contratou a empresa de consultoria em mídia Innovation para criar o novo projeto gráfico do jornal. É tendência mundial a substituição do formatão standard por formatos menores como o tablóide ou o berliner que o jornal adotou. Logo na primeira página o maior elemento (mais de 60% da área) é uma fotografia que toma metade do espaço. Dentro desta, "Correio da Bahia" agora é apenas "Correio*". Apenas uma palavra, e o asterisco do mesmo vermelho do "Bahia" em "O que a Bahia quer saber", frase que acompanha o logotipo. Asterisco que remete à exclamação do Yahoo! e tantas marcas web com sinais gráficos.

_A criação da redação informatizada, as incursões mais vigorosas pelo webjornalismo, e finalmente a reforma editorial e gráfica do jornal são todos decorrência da disseminação do acesso à internet no Brasil. A indústria de informação impressa se encontra em crise e, para manter-se viva acaba tanto por migrar parcialmente de mídia quanto por incorporar técnicas, estéticas e recursos característicos da internet no próprio produto impresso.

_Os degradês de laranja sumiram, graças aos deuses. A arquitetura de informação está muito melhor desenvolvida. Acima das chamadas, o número da página vem, em cor vermelha, ao lado do nome da editoria. E nada da redundância de repetir que o número é de “página”. No miolo, o topo de praticamente todas as páginas é composto de pequenas notas de 60 ou 120 palavras em média. Mesmo a seção "Mais" que apresentaria material mais longo e jornalístico - no sentido rigoroso da palavra - mantem as notinhas. A exceção é a editoria "24h", que abre o jornal com notícias mais quentes e tem uma estrutura mais livre.



_A imagem acima mostra apenas duas das dez páginas que apresentam infográficos, entre as sessenta e quatro que totalizam a publicação. Apesar de uma produção longe da qualidade apresentada pela Folha de São Paulo, a equipe de André Renato Malvar, além da retrospectica de 30 anos de Correio*, também representou visualmente bem os pontos de falta de segurança dos campi da UFBa e as contratações do Esporte Clube Bahia.

_Jornalismo cultural nulo (faço minhas as palavras de Ana Camila) na publicação, mas informação mais direta. A agenda de cinema apresenta as salas e horários em uma tabela bem mais prática e opta por não poluir a página com informações sobre produção, diretor e elenco pra um público que não está interessado nisso, ao menos não no jornal.

_Para mais conteúdo sobre a relação entre internet e jornalismo impresso, ouça o podcast de Fernando Firmino chamado “Tablodização dos jornais diante do impacto da internet”. Firmino é jornalista, doutorando do Poscóm-UFBa e blogueiro do Jornalismo Móvel.

_Clique abaixo para ver o anúncio, realizado pela Propeg, que exalta o novo Correio* e sua "diagramação dinâmica e moderna, sem precedentes na história da imprensa brasileira".

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Walter Pinheiro cede entrevista à Lupa

Por Victor Soares




_Na última segunda-feira, dia 10 de Novembro, o deputado federal Walter Pinheiro (PT), 49, cedeu entrevista à revista Lupa. O bate-papo aconteceu no salão do Hotel Golden Park, situado na Avenida Manoel Dias da Silva, no bairro da Pituba em Salvador.

_Os repórteres Victor Gazineu, Giácomo Degani e Victor Soares tiveram que driblar assessores e correligionários para conseguir conversar com o deputado petista. A entrevista, que estava marcada para as 14:00 horas, acabou acontecendo com um pouco de atraso devido a agenda apertada do parlamentar.



Todos esses contratempos não foram capazes de reduzir o nível da entrevista. Durante a conversa, o deputado Walter Pinheiro falou um pouco sobre a sua campanha para prefeito em 2008, sobre o modo como a imprensa atuou na campanha e ainda sobre a "surpresa" por ter conseguido ir ao segundo turno, já que o candidato teria iniciado muito atrás nas pesquisas.



_Pinheiro parecia muito ocupado e com inúmeras tarefas a serem resolvidas ainda durante aquele dia (10), por isso a entrevista durou apenas pouco mais que vinte minutos, mas foi decisiva para a matéria que deverá ser publicada na sexta edição da Revista Lupa.

_Ao fim da entrevista, um dos repórteres "brincou" indagando o deputado sobre uma possível candidatura ao senado em 2010 - "Vamos ver" - respondeu o deputado, com um sorriso na boca.


_Mais informações sobre a entrevista e o conteúdo discutido nela poderão ser lidos na próxima edição da Revista Lupa.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Meio e Mensagem

O MUNDO INFANTIL NO UNIVERSO DA PUBLICIDADE

Por Anaísa Freitas e Monique Passos

_Duas crianças jogam para conseguir mais biscoitos, e uma delas trapaceia e consegue ganhar da outra. Por mais improvável que pareça, essa narrativa foi parte de uma propaganda de biscoitos. Peças publicitárias como essas incitam grandes discussões e lançam a pergunta: afinal, é ético fazer propaganda para crianças? Para a psicóloga do projeto Criança e Consumo, Laís Fontenelle Pereira, não, pois “nos dias de hoje a criança aprende, desde muito cedo, através da comunicação mercadológica dirigida a ela, valores distorcidos do tipo: para ser é preciso ter”, explica.

_Outro fator agravante na publicidade dirigida ao público infantil, na opinião da psicóloga, é o fato de que a propaganda utiliza personagens e elementos do universo infantil, para um público poucas vezes capaz de distinguir isso. De acordo com Pereira, dentre as conseqüências do investimento maciço em publicidade infantil estão: incidência alarmante de obesidade infantil, a violência, a sexualidade precoce, o materialismo, estresse familiar e o desgaste das relações sociais.

_Para Tiago Rezende, publicitário da Leiaute Comunicação e Propaganda ltda., o que existe é uma tentativa de “demonização” do papel da publicidade. Para ele, a sociedade não é reflexo dos valores veiculados pela propaganda, e sim, o inverso. Além disso, Rezende entende que a criança não tem poder de compra, mas lamenta que comerciais como o descrito nas primeiras linhas dessa matéria passem pelo CONAR (Conselho de Auto-regulamentação Publicitária).
_Doutor em Educação pela UFBa, César Leiro, compreende o papel que as mídias têm no universo infantil e teme pelo seu banimento. Para ele, pais e educadores devem propor a esse público uma alternativa crítica de recebimento desses anúncios publicitários. “A partir disso, a criança aos poucos, respeitando seu tempo e sua capacidade, passa a construir um grau de autonomia aos apelos publicitários”, assegura Leiro.

_Regrar crianças e seus maus modos, quando exigem a compra de um produto na marra, limitar o poder de atuação das empresas publicitárias e capacitar educadores para o diálogo com os pequeninos, essas talvez sejam alternativas para barrar nas crianças a absorção inconsciente do anúncio embutido nos programas infantis.


Hyundai Santa Fé - Comercial TV

_Este comercial, já banido na Nova Zelândia, é um claro exemplo de publicidade abusiva, pois transmite valores distorcidos, estimula a criança, futuro adolescente, a agir de forma a colocar em risco a sua própria segurança, além de incitar a transgressão da Lei de Trânsito.