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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

É hora de pesquisa?

Quem será o novo presidente?
José Serra: Liderança antecipada.Heloísa Helena: Bom início nas pesquisas Dilma Rousseff: Na cola de Lula.
Ciro Gomes: Não desiste nunca!
Aécio Neves: Tem vaga pra ele?

Circo Urbano
Por Victor Soares

_Ainda faltam quase dois anos para as eleições presidenciais, que ocorrerão em Outubro de 2010. Apesar da distância temporal, o Instituto Datafolha já faz pesquisas de intenção de voto para o futuro presidente do Brasil.
_Em pesquisa divulgada nesta segunda-feira (08) o provável candidato José Serra (PSDB), atual governador de São Paulo, aparece na liderança. Em seguida surge o deputado federal Ciro Gomes (PSB), a ex-senadora e vereadora eleita de Maceió, Heloísa Helena (PSOL) e a "queridinha" do presidente Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).
_Serra tem 41% da preferência do eleitorado, enquanto Ciro possui 15%, Heloísa Helena 14% e Dilma Roussef apenas 8%. Vale registrar que a última subiu de 3% para 8%, desde a última pesquisa feita em Março de 2008. Muitos ainda estão indecisos ou afirmam que irão votar em branco ou nulo. Esse quadro é composto por 21% do eleitorado. Os indecisos são 9% e os que preferem votos brancos e nulos somam 12%.
_Em uma semana que o presidente Lula apresentou 70% de aprovação popular, parece muito cedo para afirmar que a sua candidata chegará em útlimo lugar na corrida eleitoral. Lula bateu todos os recordes de popularidade desde a reabertura política brasileira. Todo esse carisma "lulista" deve servir de base para alavancar a campanha de Dilma Rousseff, que poderá ser a primeira mulher a governar o Brasil.
_O governador paulista ainda disputa internamente a candidatura com o seu companheiro de partido, o tucano e governador mineiro, Aécio Neves. Na mesma pesquisa do Datafolha, quando Aécio Neves é o candidato tucano fica atrás de Ciro Gomes e até de Heloísa Helena.
_Tudo indica que Serra será mesmo o candidato do PSDB. Mas, como a política brasileira é bastante volátil, temos que esperar para ver. Essas pesquisas antecipadas pouco têm de concreto, mas o fato é que elas existem. Qual o sentido delas? Cabe ao leitor tirar suas próprias conclusões.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vivendo numa bolha

por Mariana Almofrey Nogueira


Ontem foi o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Com o intuito de chamar atenção para a realidade de preconceito e estigmas que sofrem os portadores do vírus HIV, o Programa Nacional de DST e Aids realizou uma intervenção urbana, “O preconceito isola”.

Uma grande bolha transparente foi montada na Praça dos Três Poderes – em Brasília. Ao longo de todo o dia, um jovem ficou dentro dela, isolado das pessoas que estavam no ambiente externo.

Na base da bolha podia-se ler os dizeres do jornalista e sociólogo Herbert Daniel, que morreu no ano de 1992 em decorrência da Aids: “Há uma coisa dentro de mim, contagiosa e mortal, perigosíssima, chamada vida, lateja como desafio”.

De acordo com o site http://www.aids.gov.br/, a decisão de transformar o 1º de dezembro no Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi tomada em outubro de 1987 pela Assembléia Mundial de Saúde – com apoio da ONU.

A data é adotada no Brasil desde 1988. A intenção é que ela sirva como um reforço a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV.


O laço vermelho é visto como símbolo de solidariedade e de comprometimento na luta contra a Aids. O símbolo – criado em 1991 pela Visual Aids – foi escolhido por remeter a sangue e à idéia de paixão. Ele foi usado (publicamente) pela primeira vez no prêmio Tony Awards, pelo ator Jeremy Irons.

No Brasil, o tema da Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids deste ano tem como público alvo os homens acima dos 50 anos. Ela foi lançada no dia 25 do mês passado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão e tem como slogan: “Sexo não tem idade. Proteção também não”.

A maioria dos casos de Aids ainda está concentrada na faixa etária de 25 a 49 anos. No entanto, a campanha é pertinente porque a taxa de incidência entre pessoas acima dos 50 anos dobrou entre 1996 e 2006 – passando dos 7,5 casos por 100 mil habitantes para 15,7.

No site do Programa Nacional de DST e Aids, há uma página específica para a divulgação de notícias relacionadas aos eventos do Dia Mundial promovidos nos estados, municípios e organizações da sociedade civil.
Além de Brasília, algumas cidades brasileiras como, por exemplo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Manaus e Pernambuco organizaram intervenções para marcar o dia – que foi lembrado em vários países.
Em outras cidades da América Latina foram realizadas atividades – como manifestações, apresentações artísticas, fóruns, campanhas de comunicação, concursos e realização de provas rápidas voluntárias de HIV.
O diretor regional da Unaids para a América Latina, César Antonio Núñez declarou ontem que apesar dos grandes avanços no tratamento não se pode assegurar que a epidemia esteja controlada.

Prostituta indiana participa de caravana pelo Dia Mundial de Combate à Aids em Calcutá, na Índia


Em Jacarta, na Indonésia – onde se estima que nos últimos seis anos tenham ocorrido 150.000 novos casos da doença – ativistas participaram de uma campanha contra o vírus da Aids.

Na Europa a porcentagem de população infectada pelo HIV quase duplicou entre 2000 e 2007, segundo dados divulgados ontem pelo Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Circo Urbano

Museu da Pessoa

Por Mariana Sebastião

Como todos sabemos, museus são lugares que, independente da forma, objetivam preservar ou divulgar a memória de um povo ou época. Entretanto, muitos não sabem que, no ambiente virtual, também existem museus, e estes não possuem um espaço físico em escolas, cidades ou instituições. Um exemplo engraçado é o Museu da Pessoa, isso mesmo, Museu da Pessoa. Este é um museu virtual de histórias de vida de todas as pessoas que queiram compartilhar as suas experiências. O objetivo é ter um espaço onde cada pessoa tenha a oportunidade de preservar a sua história de vida e tornar-se uma das múltiplas vozes da memória social. Ressaltando que só existem seis museus digitais no mundo inteiro, o Museu da Pessoa é um desses, e já tem redes no Canadá, Estados Unidos e Portugal. Qualquer um pode consultar o seu acervo pelo site
www.museudapessoa.net.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"Correio da Bahia" e "A Tarde" fecham os olhos.


Por Giácomo Degani

_ A imprensa baiana fez uma excelente cobertura do jogo merecidamente vencido pelo Vitória contra a equipe do Grêmio. O jogo ocorreu no último domingo, a partir das 17:00, no horário de Brasília. As manchetes destacavam a classificação do Vitória para a Copa Sul Americana. O time baiano não participa de uma competição internacional desde 1997. Também foi destacado o quase título que o São Paulo ganhou, após a derrota gaúcha. Ambos os veículos baianos deram a cobertura necessária para os fatos.

_ O problema é que os jornais não divulgaram alguns fatos extra-campo ocorridos no estádio. No primeiro tempo, uma bomba caseira explodiu na torcida gremista. Alguns torcedores se exaltaram e a polícia logo os intimidou. Um torcedor foi levado com ferimentos nas mãos. Boa parte da torcida, nesta hora, já estava assustada. A Polícia Militar, contactada pela torcida gaúcha, agiu rapidamente, deixando as pessoas mais tranqüilas.

_ No segundo tempo, uma segunda bomba atingiu a torcida. Por sorte, esta falhou e os policiais prontamente a retiraram. Contudo, o alvoroço causado foi muito maior. Enquanto a primeira caiu em uma área menos concentrada, a segunda atingiu uma área em que havia uma grande quantidade de pessoas juntas. Conseqüentemente, muita gente saiu correndo e atropelando umas as outras. Dois homens rolaram escada abaixo e acumularam ferimentos na cabeça e pelo corpo. Para saírem do local precisaram de ajuda policial. Foi possível ver uma grande quantidade de crianças chorando após a explosão. Várias meninas pediam aos pais para deixarem o local assim que possível.

_ Quando o relógio apontava cerca de 25 minutos do segundo tempo, deixei o estádio devido à instabilidade emocional que pairava no local. Na saída do Barradão, não havia qualquer sinal de policiamento. Cerca de vinte homens estavam nas imediações do estádio, entoando hinos das torcidas organizadas e provocando e intimidando gremistas que deixavam o jogo.

_ Nem o "A Tarde", nem o "Correio da Bahia" fizeram qualquer nota sobre os acontecimentos. A politicagem impede a divulgação dos fatos. Mas como ficam os torcedores que sofreram ferimentos? Tudo vai permanecer debaixo dos panos?
Protesto!

_ O site do jornal "A Tarde" publicou esta foto acima da torcida gremista.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Circo Urbano

Cultura e Religião
por Rebeca Caldas

_ Semana passada, recebi um e-mail que dizia:

O Senador Marcelo Crivella, pastor e político, está prestes a aprovar, no Senado Federal, uma emenda à Lei Rouanet que permite a construção, reforma de templos religiosos com renúncia fiscal, passando a disputar verbas com a cultura.
Vamos lutar para manter as poucas verbas para as artes e a cultura  brasileira.
Repasse a informação a seus amigos.

_ A Lei Rouanet é uma lei de incentivo fiscal, na qual o Estado “abre mão” de 4% do imposto de renda arrecadados por empresas, a fim de incentivar a produção cultural no país. A emenda proposta por Marcelo Crivella (PLS 69/05) busca ampliar a abrangência da Lei Rouanet aos templos religiosos considerados históricos (de qualquer religião), a fim de garantir a conservação de sua infra-estrutura, utilizando recursos do Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura), cujas fontes de financiamento são recursos do Tesouro Nacional, arrecadação de loterias federais e incentivos fiscais.

_ O senador Marcelo Crivella é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e sobrinho de Edir Macedo, o fundador da IURD. Destas informações é previsível que a repercussão deste fato foi enorme. Numa pesquisa na internet, encontrei sites como o da Folha de São Paulo, Prefeitura de São Paulo, Terra, do partido PC do B e muitos outros, principalmente blogs, que mencionavam o assunto. Além disso, houve uma entrevista no programa do Jô Soares com o senador, no dia 30/04/2007 acerca deste tema.


_ O aspecto comum em todos os sites que consultei foi a indignação das pessoas com a intenção de Crivella, elas dizem que ele está querendo utilizar o dinheiro público destinado à cultura em benefício da Igreja Universal. No e-mail que recebi, havia um link para um abaixo-assinado contra essa atitude do senador (http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?cult2007). Nele, até hoje, foram 39.854 assinaturas. 
_ Quis falar sobre esse fato para chamar atenção para um fenômeno bem mais amplo que vem acontecendo na sociedade, que é a crescente representatividade dos evangélicos nas diversas instâncias sociais. Na eleição para prefeito aqui em Salvador, entre os quatro prefeituráveis, dois eram evangélicos (Walter Pinheiro e João Henrique), inclusive os que foram ao segundo turno, e ACM Neto tinha como vice o bispo da Igreja Universal Marcio Marinho. O próprio Marcelo Crivella foi candidato a prefeito no Rio de Janeiro, ficando em 3º lugar, com 19,06% dos votos. Nos horários destinados à propaganda eleitoral em Salvador, foi evidente a postura dos candidatos a vereadores relacionados a igrejas evangélicas de pronunciar sua fé e convocar os fiéis a votarem neles.

_Outro aspecto importante é o crescente desenvolvimento da indústria de música religiosa, a gospel, e até a presença da música evangélica em redes de televisão (em novelas) e rádios em geral e a propaganda de CDs evangélicos por gravadoras importantes em grandes empresas de televisão, como é o caso da propaganda relacionada ao Cd de uma cantora evangélica (Aline Barros) pela Som Livre na Rede Globo.

_ Mas o curioso é que o universo religioso evangélico possui particularidades e muitas vezes antagonismos com o que acontece fora das suas fronteiras. No entanto, seu crescimento tem sido tão evidente, que eles estão presentes até no poder político, inclusive tentando defender interesses inerentes a este universo. 

_ Há mais uma face desse fenômeno que me chama atenção: nos bairros periféricos da cidade, regularmente aparece em uma casinha qualquer uma igreja nova, que em pouco tempo torna-se insuficiente para tantos fiéis. O pior é que grande parte destas igrejinhas forma fiéis fundamentalistas, com posturas bastante rígidas. Quem nunca viu um crente gritando num ponto de ônibus ou dentro do próprio veículo com idéias apocalípticas prevendo o fim do mundo e um destino drástico para os que não seguirem suas doutrinas? 

_ Preocupa-me ver que na maioria destes bairros não há sequer um local para a produção e fruição da cultura. Logo a cultura, que tem o poder de abrir horizontes, causar uma fuga e uma reflexão sobre a realidade, produzir conhecimento, promover o desenvolvimento social. Enquanto isso, o nosso senador propõe ao governo a utilização do dinheiro destinado à cultura no ambiente religioso.

_ Por enquanto, o relacionamento entre os dois universos possui bastantes ruídos. Os fiéis fundamentalistas vêem a cultura como aquilo que é do mundo exterior e não deve ser consumido pelos membros do seu mundo. Já a sociedade se indigna com o crescimento e as atitudes consideradas insensatas e oportunistas dos evangélicos. 

_ Penso que é necessário se criar um diálogo entre estas instâncias. Até porque a liberdade religiosa é direito de todo cidadão brasileiro e a diversidade de religiões é uma das nossas riquezas culturais. Que todos possam ir ao templo quando quiserem, mas que também tenham acesso às diversas manifestações culturais produzidas pelo nosso povo, afinal, é também nosso direito. Mas é preciso fazer a diferença entre o que é da coletividade e o que faz parte de um universo particular.

Fontes:
http://g1.globo.com/Eleicoes2008/apuracao/0,,AUE0-15693-2-60011,00.html
http://www.senado.gov.br/senamidia/parla/noticiaDoSenado.asp?ud=20080915&datNoticia=20070502&codNoticia=57409&codParlamentar=3366&nomParlamentar=Marcelo+Crivella
http://www.senado.gov.br/senamidia/parla/noticiaDoSenado.asp?ud=20080915&datNoticia=20070502&codNoticia=57409&codParlamentar=3366&nomParlamentar=Marcelo+Crivella
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1664631-EI6619,00-Lei+Rouanet+para+a+Igreja+Universal.html
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1666396-EI6578,00.html
http://www.mundogump.com.br/bispo-senador-marcelo-crivela-quer-destinar-dinheiro-da-lei-da-cultura-para-igrejas/
http://www6.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/cultura/imprensa/0362
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=438ASP003
http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=2792
http://fenaj.org.br/materia.php?id=1670

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Circo Urbano

Correr faz bem
por Camila Queiroz

_Neste domingo, dia 21 de setembro, ocorreu a 5ª edição da meia Maratona Braskem de Revezamento no circuito Barra-Ondina. O evento reuniu cerca de 3.600 corredores jovens e adultos, amadores e profissionais, funcionários Braskem e algumas “figuras” vestidas de homem aranha, de coringa e um aplaudido torcedor do Bahia. As equipes formadas de duplas ou quartetos, mistos ou unissex, percorreram aproximadamente 21 quilômetros distribuídos em quatro voltas de 5, 275 metros. Marily dos Santos, representante olímpica de maratona feminina em Pequim, participou da corrida e a atleta paraolímpica baiana Verônica Almeida, medalhista de bronze na natação, marcou presença e agradeceu todos pela torcida nos jogos em Pequim.




_Com o objetivo de promover a saúde, o esporte, estimular a prática de exercícios físicos e o surgimento de novos atletas, a meia maratona deu um exemplo de organização e trouxe a oportunidade de muitos jovens amadores participarem de uma corrida profissional – no caso, uma das mais importantes do cenário internacional. Com números estampados no peito, chips presos nos cadarços e de olho no cronômetro, jovens veteranos e calouros em eventos deste tipo correram - com seu ritmo próprio – ao lado de atletas profissionais e vibraram ao trocar com seus colegas de revezamento ou ao chegar à linha final.


_“A corrida me motivou a procurar novas práticas esportivas e poder participar ao lado de profissionais como exemplo a representante olímpica do nosso país (Marily dos Santos) foi de grande satisfação. Apesar do cansaço e da falta de preparo, a corrida valeu muito a pena”, disse Wagner Carvalho, 19 anos, participando pela primeira vez em maratonas.



_Correr está sendo uma opção de quem procura melhorar a saúde e o preparo físico em qualquer idade. E não faltam opções para quem deseja montar uma equipe e participar de maratonas. Basta consultar, por exemplo, o calendário da Federação Baiana de Atletismo e conferir as próximas corridas. Uma sugestão é a Ultramaratona de Revezamento Desafio do Forte, que acontecerá dia 1º de novembro, em Praia do Forte e redondezas.

* Fotos do Correio*

domingo, 21 de setembro de 2008

Circo Urbano

Conscientizando
por Paula Amor

_Estar alerta para os problemas do mundo. Esta tem se tornando uma condição cada vez mais essencial conforme as gerações mudam. Sejam esses problemas ambientais, ou sociais; ONGS, empresas privadas, governos, entre outros, se esforçam para chamar a nossa atenção.

_Aderindo a esta onda de conscientização, O GREENPEACE, em parceria com o Salvador Shopping, realizou entre os dias 1 e 20 de setembro, uma campanha de conscientização da população do respeito aos oceanos – “Entre nessa onda”. O Túnel Sensorial, instalado na praça central do shopping trabalhou os quatro sentidos – audição, visão, olfato e tato – com o objetivo de fazer com que o visitante sentisse de forma lúdica e temporária a agressão que o planeta sofre ao percorrer cenários que ilustram os desafios e soluções para a conservação dos oceanos. Ao final do percurso, o público assistia dentro do cine/iglu ao trailer do vídeo “O mar é nosso?”, que trata da relação entre os homens e os mares.


_A idéia deste evento foi bastante interessante. A enorme tenda azul, simulando um iglu, atraiu todos os olhares curiosos. Quem passava com certeza se perguntava “o que é isso?”. Crianças e adultos – pessoas de todas as idades podiam ser vistas na fila. A campanha parece ter sido um sucesso, mas o importante é saber se todos que visitaram o túnel realmente levarão o que aprenderam para casa.

_Ainda nesta onda de tentar concertar no presente nossos erros do passado, indico para aqueles que querem fazer algo para melhorar o nosso meio ambiente, mas não sabem como, que plantem uma árvore! Como? Muito simples. Os avanços tecnológicos estão ai para ajudar. Podemos plantar uma árvore sem precisar sair de casa – apenas acessando a internet!
_São inúmeros os sites que nos dão esta possibilidade hoje. Alguns deles:

* Clickarvore - para plantar árvores nas áreas da Mata Atlântica -
* Plant.net - para plantar na Mantiqueira
* Ecoogler - um buscador que a cada 10.000 buscas feitas através dele, doa o dinheiro necessário para plantar uma árvore na Amazônia

_Agora, cada vez menos temos desculpas para não ajudar o nosso planeta.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Circo Urbano

Cidade de Chumbo


Reportagem sobre a contaminação por metais pesados pela fábrica Cobrac, em Santo Amaro (BA).


Autora:
Mariana Alcântara
Duração: 6 min 31

Postado por Marcel Ayres

domingo, 17 de agosto de 2008

Circo Urbano

Amazing, guy!
por Ive Deonísio

_Depois que eu descobri que Natalie Portman é israelita (ela nasceu em Jerusalém) e que a Britney Bitch vai protagonizar uma assassina lésbica no Faster Pussycat! Kill, Kill!, o próximo filme do Tarantino, nada mais parece legal e surpreendente. Mas eu sou brasileira e não desisto nunca. Então vamos lá.

_Uma cidade tão grande e frenética como Nova York necessita de um sistema de transporte eficiente. Ok, Salvador é grande e não tem, mas isso é outra história... De todos, o metrô parece ser o mais completo, já que percorre longas distâncias rapidamente, por uma quantia módica.

_Acontece que o metrô não é apenas um meio de transporte. Entre outras coisas, ele funciona também como uma galeria de arte moderna, e é relativamente bem organizado (tem saite e tudo!).

_Além das exposições nas estações, como nas praças do Brasil e da América Latina, vários artistas de rua(?) se apresentam no espaço.

_Pulando essa parte do blá, blá, blá introdutório, o que eu queria mesmo dizer é que possa ser que o cidadão não tenha a ferramenta, mas se tiver talento, já é o suficiente. Pois então, nada de “jeitinho brasileiro”, o bom exemplo, dessa vez, vem de dois artistas do metrô de Nova York:

_Dupla de percussionistas improvisando:

domingo, 10 de agosto de 2008

Circo Urbano

Fica a dúvida
por Ive Deonísio

_Fim de férias, tempo livre maior, época de liquidação.... todo mundo acaba dando um pulinho no shopping! No Iguatemi, que é o maior templo do consumo de Salvador, acontecerá, de 03 a 24 de agosto, uma exposição de carros antigos.

_Algumas pessoas acham o antigomobilismo bacana, outras, como eu, são indiferentes. OK, agora, quem souber, por favor, devolva minhas noites de sono e me responda: como carros daquele porte entram no shopping? Porque, convenhamos, o veículo é emprestado, o dono não vai querer desmonta-lo, e, mesmo desmontado, as portas do shopping são relativamente pequenas... Será que o Mustang, por exemplo, foi, sei lá, abduzido de qualquer filme, tipo o Bullitt?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

"Era uma vez..." e outras historinhas

por Mariana Reis


_Não. O novo filme de Breno Silveira, "Era uma Vez...", não é uma história de amor. Não é nem Romeu nem Julieta. Não é tráfico de drogas. Não é favela. Não é asfalto. Não é Ipanema. Não é Brasil. Não é violência, nem carinho, nem amor. Não é uma história de amor. Pobre de Romeu se provasse do veneno das cidades de verdade, com suas armas de verdade e seus olhares verdadeiramente indiferentes. O filme não é um "Romeu e Julieta contemporâneo com nuances de crítica social e variáveis neoclássicas da beleza na paupérie" ou qualquer bosta pronta feita pela crítica pós-graduada em Londres. O filme é beleza e é defeito, mas assume sua dignidade oferecendo a cara para alguma bofetada mais animada, ou para algum daqueles olhares indiferentes e insossos.

_Quem assistiu ao filme no dia 22 de julho, no IV Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, não tirou os olhos de Dé (Thiago Martins) e Nina (Vitória Frate). Porque era também amor e porque era verdade. Dé é Thiago, menino do morro, menino de verdade. Thiago é Dé de carne e osso. É menino negado para o papel de Dé seis vezes. "Era uma Vez..." é toda essa mesmice que é nossas vidas, esse amorzinho babaca, essa violênciazinha batida, esses pivetinhos que perturbam um bom jogging no calçadão, esse discursinho moral por causa de um baseadinho, tudo muito explorado no cinema! Bom mesmo é o curta-metragem "Areia" de Caetano Gotardo que fala sobre...sobre o que mesmo?Ah, sobre a areia. Pois, que "Areia" recebeu aplausos do supra-sumo do cinema da Bahia. Quanto ao filme de Breno Silveira? Pessoas levantaram antes do final. Não que eu tenha gostado muito do final apocalíptico, mas essa baboseirinha de desigualdade social já tá fora de moda. A tendência mais in da próxima estação é areia. Lindas rodas de discussão sobre areia. Isso sim.

sábado, 7 de junho de 2008

Circo Urbano

Desbravando Moreré, a Polinésia Baiana

Por Ive Deonísio


_Moreré é um pedacinho de paraíso no litoral baiano. Praia deserta, vegetação virgem, mar azulzinho, quase a ilha do seriado Lost. No local não entram carros. Os percursos são feitos a trator ou a pé. O povoado também não possui atracadouro.

_Acontece que o difícil acesso à Ilha de Tinharé, onde se localiza o vila de Moreré, não impediu a invasão da modernidade ao local. Os mochileiros, neo- hippies e velejadores desavisados podem se assustar com a novidade, mas o tiopês, linguagem típica do universo internético, é fluente no povoado. Lá, moradores falam e até escrevem no dialeto que agora é a modinha do orkut, msn, fóruns e lista de discussão.

_Confira os registros desta repórter que vos fala:
O nome do vilarejo vem do tupi e significa "acará-disco", nome de um peixe.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Circo Urbano

INTIMIDADE COM O ESPELHO

Por Anaísa Freitas e Monique Passos

_Perdendo a vergonha de ser vaidoso, o homem contemporâneo abandona a insegurança e não tem receio de incluir, em sua agenda, horários para tratamentos de beleza. Eles aderem ao uso de cosméticos, freqüentam clínicas de estética, praticam atividades físicas regularmente e cuidam da alimentação. O compromisso pessoal com uma boa aparência e a auto-estima elevada permitem que eles abandonem preconceitos como aquele que associa a vaidade masculina à tendência homossexual.
_No geral, os freqüentadores das clínicas de estética são empresários com mais de 35 anos, casados e com filhos, que incluem na rotina o hábito de consumo dos artigos de vestuário e de higiene pessoal, que realçam a beleza. Esse cuidado com o corpo é motivo de satisfação para as esposas, uma vez que, as mulheres admiram e incentivam o cuidado masculino, especialmente para o próximo dia 12 de Junho.

_No quesito cuidado estético, os homens visitam as clínicas em menor freqüência. Mas, a maior distinção entre os gêneros é a disciplina masculina. Eles seguem todas as orientações que são dadas após os procedimentos, ao contrário de algumas mulheres. Essa obediência, aliada ao potencial do metabolismo masculino, permitem que visualizem os resultados em menor tempo.
_Dados estatísticos revelam a tendência do homem em tornar-se mais delicado com o visual. A pesquisa do Ibope Mídia, divulgada em setembro de 2007, revela que os homens gastam 15% mais com produtos pessoais do que as mulheres. É a era dos neo-narcisistas, tão encantados com as chances de se verem no espelho cada dia mais jovens e belos.


O QUE ELES PROCURAM?

· Limpeza de Pele – Retirada de células mortas e desobstrução dos folículos.
· Massagem Relaxante - Com manobras suaves, ela auxilia no combate ao stress.
· Peeling - Descamações da pele em níveis: superficial, médio e profundo. O objetivo é induzir o corpo a produzir uma nova camada de pele.
· Reflexologia podal – Massagens nos pés, visando pressionar os pontos de ligação com demais órgãos
· Shiatsu - técnica de massagem japonesa em cima dos canais de energia do corpo (meridianos), assim equilibrando o fluxo da energia vital ("Ki"). é recomendada contra problemas de coluna e deficiência funcional de órgãos.


ONDE PROCURAM?


domingo, 25 de maio de 2008

Circo Urbano

Sonhos baianos pelo Oceano Índico



Por Camila A. C. Kowalski

_Voltar de uma viagem nunca é tarefa fácil. É claro que, no começo, você fica superfeliz de estar vendo tanto gente que nem via – e mal falava – há tanto tempo. Mas quando olha ao seu redor, quando vê as condições da sua cidade e do seu país, se questiona se tudo piorou muito ou se você havia sido vítima de uma crise de ufanismo agudo durante o tempo em que passou fora. É verdade, até o menos patriota dos brasileiros acaba idealizando um pouco o país quando viaja. Na Índia, reclamei tanto das ruas sujas, do trânsito caótico, que sequer me lembrei que Salvador não é muito diferente. Já cansei de ver faixa de trânsito acabar sem aviso, de ônibus demorar mais de 1h30 pra passar. E, bem pertinho da minha casa, que supostamente é numa área "tradicional" da cidade, tem alagamento depois de uma chuvinha de 10 minutos e o lixo acumulado na rua (isso inclui também fezes de animais e de humanos muitas vezes) faz o mais resistente cidadão sentir náuseas.

_Mas talvez o mais difícil seja fazer com que as pessoas se adaptem novamente a você. Uma viagem é um aval para moldar sua personalidade aos novos rumos que deseja seguir. Quando está longe de quem conhece sua história, o limite entre o ridículo e o espontâneo se perde e você pode se permitir extravagâncias e atitudes tão diferentes do que você se condicionou a ser, que seus amigos ficariam assombrados de ver. E o difícil é justamente isso – fazê-los se conformarem com a nova pessoa que surgiu e permitirem que ela entre (de novo) no grupo.

_Nos últimos tempos, tenho encontrado pessoas que me perguntam como foi a minha viagem. Fico estática, sem saber direito o que dizer, não vêm palavras à minha mente. Eu passei 2 meses num programa (o Ship for World Youth, ou simplesmente SWY) que ninguém acreditaria sequer que existisse. Simplesmente fui bancada pelo governo japonês (passagens, hospedagem, transporte, alimentação) para fazer um intercâmbio cultural com quase 300 jovens de 14 países, incluindo 10 do Brasil. Além de ficar um tempo no Japão, conhecendo Tóquio e Kagawa (a menor jurisdição japonesa), fui de navio até Cingapura, Omã (pra quem não sabe, é um país do Oriente Médio) e Índia. O processo de seleção é restrito a alunos de universidades federais brasileiras, que tenham bom rendimento acadêmico, estejam acima do 4º semestre e sejam fluentes em inglês.

Nas próximas semanas, tentarei contar um pouco como foi essa experiência. Por enquanto, deixo algumas fotos por aqui.


A recepção que recebi nos lugares onde paramos foi incrível


A verdadeira comida japonesa






Experiência multicultural: visita a um templo budista em cingapura




Sítio arqueológico na índia, perto de chennai




A impressionante paisagem do oriente médio





terça-feira, 29 de abril de 2008

Lupa na Carta Capital

1968, juventude e militância

Emiliano José

Este é um ano que 1968 volta à cena. Outra e mais uma vez. É o aniversário de 40 anos. 1968 já é um senhor respeitável. Com este senhor, o eterno retorno de um debate: o papel da juventude. E nessa discussão emerge sempre um acentuado saudosismo, que atinge tanto os mais velhos, aqueles que viveram aquele ano mágico-redentor, quanto os mais jovens, de alguns dos quais já ouvi o lamento por não tê-lo vivido. Alguns lamentam não ter tido a chance de ter nascido numa época em que pudessem enfrentar a ditadura.

Viver sob uma ditadura, creiam os mais jovens, não é uma experiência agradável. Muito ao contrário. O melhor mesmo, com todas as suas imperfeições, é a democracia. Não há um modo político que a substitua com vantagem. E não há a possibilidade de comparar épocas tão distintas – aquela, quando vivemos sob um regime de terror e medo, e esta, depois de 1985, quando o País pôde respirar, quando as contradições, bem ou mal, puderam ser enfrentadas à luz do dia.

Eu dizia, esses dias, em entrevista dada a Samuel, estudante da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia que fazia matéria para a revista Lupa, produzida pelos alunos, tratar-se de uma ousadia alguém tentar interpretar a atividade política da juventude dos dias atuais já tendo chegado à casa dos 60 anos de idade. Corria um risco muito grande, inclusive, talvez, o do saudosismo, pois, afinal, havia participado decisivamente do movimento estudantil de 1968.

Além disso, depois me dedicara à luta contra a ditadura, já clandestino, militando na Ação Popular, organização marxista que defendia a luta armada. Eram interpelações feitas a mim mesmo, para que evitasse esse saudosismo, que condeno. Não é que não se deva valorizar tudo o que foi feito naquele ano tão cheio de promessas, de expectativas redentoras – tudo o que ele representou como um momento de semeadura de sonhos, de esperanças, de utopias. Deve ser lembrado assim, à Walter Benjamin, como um ponto luminoso do passado, trazido ao presente, para que sejamos capazes de prosseguir em busca daqueles mesmos sonhos, em outras condições e circunstâncias. LEIA MAIS



Em breve, LUPA 5.


sábado, 1 de março de 2008

Le Parkour
A arte do deslocamento

Texto Davi Boaventura e Marcel Ayres
Foto Fabiane Oiticica e Davi Boaventura

_ Dia quente. Duas pessoas fazem alongamento e se preparam em uma praça de esportes. Calça, blusa e um par de tênis sujos. Eles correm, saltam e se equilibram com as mãos em um pequeno corrimão de 20 cm de largura. Rapidamente, se movimentam como felinos em cima da pequena linha de ferro. Concentrados, buscam a perfeição no silêncio. Pulam e com apenas um pé tocam numa mesa de pedra ganhando impulso. Os músculos se contraem e, de repente, já estão em um banco quase dois metros à frente. O que pode parecer uma brincadeira de pula-pula é, na verdade, um treino físico do Parkour, disciplina que busca a superação de obstáculos urbanos e naturais de maneira mais rápida e eficiente possível.

_Criado na década de 80 pelo francês, David Belle, Le Parkour - o percurso - foi inspirado nas técnicas de salvamento do Corpo de Bombeiros francês e influenciado pelo Método Natural de Georges Hérbert, um programa de desenvolvimento físico baseado em exercícios que dispensam aparelhos, que se tornou bastante utilizado em treinamentos militares.

_No entanto, a difusão da prática aconteceu, principalmente, a partir do documentário Jump London, de Sebastien Foucan. Amigo de Belle, Foucan desenvolveu uma vertente da disciplina, o free-running. "O Parkour visa eficiência dos movimentos com o mínimo de energia gasta. o Free-running cultua a beleza, independente do gasto de energia", explica Eduardo Rocha, Traceur - nome dado ao praticante - há um ano e meio.

_No Brasil, o Parkour chegou por volta de 2001 e ganhou popularidade há cerca de dois anos. Não existem escolas ou cursos sobre a disciplina. Os conhecimentos são passados de um traceur para outro ou através de informações contidas em sites e blogs na internet. "O crescimento se encontra um tanto desordenado e a boa informação não é muito acessível", afirma Eduardo. "Os veteranos se tornam o canal de disseminação da filosofia e da boa prática do Parkour", completa.

_A disciplina pode ser realizada em qualquer lugar. Geralmente, os grupos ou clãs, como se denominam, buscam locais que ofereçam um grande número de obstáculos e possibilitem o treinamento das mais variadas técnicas, que podem ser úteis em situações de fuga ou evacuações. Em Salvador, os traceurs podem ser encontrados em lugares como o Parque Costa Azul, o Parque da Cidade, a Praça do Jardim Baiano e o Dique do Tororó.

De galho em galho

_Embora o movimento venha sendo divulgado pela mídia e os seus seguidores busquem mostrar as suas intenções e filosofia, alguns praticantes afirmam que a sociedade ainda não compreende bem esse tipo de atividade. Ainda existe resistência em relação à prática do Parkour. Em alguns casos, como em exercícios que utilizam os galhos de árvores para o deslocamento, os seguranças dos parques e policiais impedem os treinos. "O traceur é visto como vândalo por algumas pessoas", reclama Thiago Xavier, praticante há dois anos.

_Os administradores e proprietários dos espaços usados pelos traceurs se defendem. "Eles podem ficar a vontade desde que não danifiquem o patrimônio", garante Benedito Araújo, administrador da área verde do Dique do Tororó. "Às vezes, uma árvore não significa tanto para as pssoas, mas para o parque significa muito", completa. Em situações como esta, os praticantes apontam o diálogo como a solução, mas a prioridade é a preservação do ambiente.


_Um dos principais benefícios apontados por quem faz Parkour é o condicionamento físico. "Você precisa ser forte para conseguir realizar os exercícios", aponta Thiago. Segundo ele, cada movimento pode trabalhar ao mesmo tempo músculos de várias partes do corpo, além de fortalecer os ligamentos. "Se a pessoa vê na televisão e acha que é só pular prédios, vai se dar mal", afirma.

_Como em algumas práticas esportivas, a disciplina também apresenta riscos. "Toda e qualquer atividade de impacto tem seu lado negativo", explica o fisioterapeuta e professor Anderson Delano. "É necessário aquecimento e alongamento. Não se pode saltar grandes distâncias de uma hora para outra", alerta. Anderson adverte sobre o exercício para crianças e adolescentes, pois eles ainda não têm a estrutura óssea e a cartilagem totalmente formada, o que pode prejudicar o crescimento.

_O Parkour não incentiva o espírito competitivo. Para tentar evitar polêmicas, a Associação Brasileira de Parkour, ABPK (http://www.blogger.com/www.abpk.org.br), vem organizando a campanha nacional Parkour, livre de competições - inspirada na camapanha internacional Pro Parkour, Against Competition, apoiada por David Belle. "Quem leva o Parkour a sério não está em busca de ser radical ou se exibir", assinala Thiago Xavier.


Esporte, lazer ou filosofia?

_Segundo David Belle, o Parkour é uma arte urbana e contemporânea de viver. Porém algumas opiniões são contraditórias. "Para mim, é um esporte. Tem sua dinâmica própria e acaba sendo uma convergência de diversas modalidades", aponta Caio Matheus, estudante universitário. "Eu não considero um esporte, pois não existem competições", rebate Thiago Xavier. "Quem faz Parkour evita a hierarquização entre os seus praticantes, treinamos para nós mesmos", completa.


Filmes que mostram o Parkour.

- B13 - Os gangs do bairro 13.
P. Morel. França, 2004.

- Jump Britain.
M. Christie. Grã-Bretanha, 2005.

-Yamakasy.
A. Zeitoun, J. Seri. Bélgica, 2001.

-
Os filhos do vento. J. Seri. França, 2004.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Circo Urbano

O fabuloso mundo dos sebos

Texto Naiana Ribeiro e Louise Vitorino.
Foto Naiana Ribeiro.

_Quem nunca teve um livro usado? Mesmo que ele tenha pertencido a um irmão ou primo mais velho? Aquele que responder não, pode sair correndo e entrar no sebo mais próximo só para não se sentir excluído. Afinal os sebos, brechós e outros espaços que resgatam o passado tomaram conta do Brasil e, em certa medida, tornaram-se cult.

Jeitinho brasileiro.
_Segundo o dicionário Aurélio a palavra sebo significa: 1. Substância graxa e consistente, encontrada nas vísceras abdominais de alguns quadrúpedes. 2. Produto de secreção das glândulas sebáceas, que protege a pele. 3. Bras. Livraria onde se vendem livros usados. Entretanto essa última acepção só é utilizada no Brasil, não existindo em outros países, mesmo aqueles que utilizam a língua portuguesa.


_A primeira vez que foi publicada a palavra sebo como correspondente de livraria que comercializa livros usados ocorreu no Dicionário de Brasileirismos-Peculiaridades Pernambucanas, escrito por Rodolfo Garcia, em 1924, na Revista do Instituto Histórico-Geográfico Brasileiro. Estabeleceu-se no Brasil uma diferenciação entre livraria e sebo, “No Brasil sebo é um estabelecimento que vende livros de segunda mão. Já nas livrarias, vendem-se livros vindos diretamente das editoras” como esclarece o senhor Eurico Bezerra Brandão (na foto acima), proprietário de um sebo que possui filiais em São Paulo e Recife, e que está prestes a lançar um livro sobre os sebos e sua evolução no país.

Tradição em sebos.
_Apesar de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro possuírem um número muito maior de sebos, é em Salvador que existe o maior e um dos mais antigos sebos do país, a Livraria Brandão-Sebo, fundada em 1969. A cidade conta também com o maior depósito do Brasil, com mais de 200.000 livros, situado na Estrada do Coco. São cerca de 15 estabelecimentos espalhados pela cidade, alguns são tão antigos que já tem clientela fixa além de tradição, como é o caso da Livraria Sebo Juvenil, situada na Estação Lapa e amplamente conhecida, principalmente entre os estudantes.

_Em alguns sebos podem ser encontradas peças raríssimas, como o livro Digestum Vetus-Digeftorum Feu Pandectarum Iuris, escrito em latim e editado no século XVI. Existe também exemplares que se tornaram raros por conter dedicatórias ou rabiscos em suas páginas feitos por grandes personalidades, como artistas, intelectuais ou escritores. E quanto mais antigo o exemplar ou mais famosa a dedicatória maior é o seu valor histórico e, conseqüentemente, financeiro.

Quem compra livros usados?
_A clientela dos sebos é ampla e diversificada. São estudantes, pessoas com pouco poder aquisitivos, outras em busca de edições raras ou esgotadas, ou mesmo bibliófilos, os colecionadores e amigos dos livros que chegam a ir pelo menos uma vez por semana a estes espaços. Ainda assim são muitos os preconceitos contra os sebos, mas como afirma o senhor Brandão: “De onde viriam os livros novos se não houvesse os velhos?”.

_O principal obstáculo encontrado pelos proprietários dos sebos não é convencer os clientes a adquirirem objetos usados como se poderia imaginar, mas sim encontrar exemplares para serem vendidos em seus estabelecimentos, uma vez que não existem fornecedores de livros de segunda mão. Sempre ocorrem vendas em pequenas quantidades, pessoas que se desfazem de seus livros por viagem, dificuldades financeiras ou apenas para adquirirem outros exemplares. Entretanto as grandes compras não são constantes. Para buscar “novidades” eles têm que contar com um pouco de sorte, como afirma o senhor Brandão “Quando tem alguém se desfazendo de uma biblioteca eu largo tudo que estou fazendo para ir lá”.

_Visitar um dos tantos sebos existentes na cidade é realmente uma experiência inesquecível, não só uma viagem ao passado, mas também um passeio por um mundo repleto de cores e imagens indescritíveis.


Porque sebo?
Estabelecimentos desta natureza tornaram-se famosos pelo nome de sebo porque há uns cem anos atrás era costume portar os livros nas mãos, tanto para estudantes como para professores e intelectuais. Com o tempo os livros ficavam manchados, ensebados pelo suor, logo os ambientes que vendiam os livros usados, ensebados, eram chamados desdenhosamente de sebos.

Trecho da entrevista feita com Eurico Bezerra Brandão.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Circo Urbano

_David Belle, 34 anos, é um educador físico francês e criador do Le Parkour. Belle nasceu e cresceu no Sena Marítimo, na Normandia. Oriundo de uma fámilia simples do subúrbio, desde cedo treinou com o seu pai técnicas militares de deslocamento que o ajudaram a desenvolver uma forma peculiar de se exercitar e ajudar as outras pessoas. Saiba mais sobre o Le Parkour, em breve, na Lupa 04.

Veja o vídeo abaixo:




Site Oficial - Clique aqui

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Circo Urbano

“A hierarquia do espaço urbano está invertida”, diz especialista


Quem é esse pedestre que não vê o problema? É o da periferia. No bairro dele é muito pior”



Por Maria Clara Lima


_Refletir é uma palavra-chave. Assim diz o arquiteto e urbanista Francisco Santos Rocha, 58. Segundo ele, é preciso refletir sobre o crescimento da cidade e sobre a lógica invertida que prioriza o veículo em vez do pedestre. “A hierarquia do espaço urbano está invertida: o transporte é uma função derivada. Você define a situação do transporte e o pedestre é transparente ou fica com o que sobra”.

_Ele explica que muitos dos problemas urbanos vêm dessa lógica invertida. “Estamos construindo um modelo inviável e perverso de apelo ao transporte individual. Esse modelo não tem sustentabilidade econômica e nem ambiental”, diz.

_Em 2003, Rocha concluiu seu mestrado sobre o andar a pé em Salvador. Para o trabalho, a cidade foi dividida em quatro regiões e alguns problemas foram apresentados – como o acesso ao ponto de ônibus, a continuidade do caminho, a falta de educação do motorista, a imprudência do pedestre e a situação das calçadas. “Na região do Iguatemi, por exemplo, o caminho é descontínuo: você salta, pula, corre. Em síntese, caminhar no Iguatemi é uma corrida de obstáculos”.

_Ele chama a atenção para um outro fato: a existência de caminhos cortados na grama. “Isso significa que o caminho pensado pelos arquitetos e urbanistas não é o preferível do pedestre”. Para ele, o único ponto positivo na região é a passarela. Mas, segundo a pesquisa, para 35% dos pedestres entrevistados, não há problema algum. “Quem é esse pedestre que não vê o problema? É o da periferia. No bairro dele é muito pior”.

_Para Rocha, o descaso com a situação do pedestre é nacional. “Em todo o Brasil: a cidade é para o carro”. E quem pensa na cidade? “O poder público”, responde. Mas, ao trazer a questão para a Bahia, para ele falta pressão, uma organização fundamentada na consciência para que esta situação mude. “A cidade cresce de uma forma desordenada e quem paga o pato é o pedestre”.

_Sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), Rocha diz ser um bom plano, mas ressalta: “A cidade se faz espontaneamente, à revelia do plano. Como controlar é a questão”.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Circo Urbano

Nilcéa Freire

_A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres elogia a importante decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de abrir processo disciplinar contra o juiz Edílson Rumbelsperger Rodrigues, da cidade de Sete Lagoas (MG), que proferiu sentenças discriminatórias contra a aplicação da Lei Maria da Penha. Consideramos a iniciativa do CNJ um importante passo para a consolidação dos princípios da igualdade, isonomia e democracia na sociedade brasileira.

_Nossa decisão de encaminhar o ofício ao Conselho Nacional de Justiça, dando ciência das 70 sentenças discriminatórias proferidas pelo juiz, se deu justamente por acreditarmos na Justiça brasileira e nas conquistas das mulheres asseguradas na Constituição Federal de 1988.

_O ineditismo da decisão tomada em caráter unânime por este órgão, que tem como presidente a ministra Ellen Gracie, demonstra o elevado significado de sua criação, em 2004, e fortalece a referência estabelecida a favor da plena aplicação e implementação da Lei Maria da Penha.

_Consideramos esta decisão a mais vigorosa manifestação do CNJ pela aplicação da Lei Maria da Penha, desde a sua criação em agosto de 2006.

_Também não podemos deixar de destacar a atuação parceira do CNJ quando sugeriu aos Tribunais Estatuais de Justiça a constituição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Outra importante iniciativa foi a solicitação aos mesmos Tribunais no dia 9 de outubro, de informações sobre as ações de aplicação da Lei, com o intuito de avaliar os avanços da Justiça no combate à violência doméstica.

_Isso sem mencionar as Jornadas Maria da Penha que tanto estimulam a discussão e a divulgação da Lei.

_Portanto, entendemos que esta decisão de abrir processo contra o referido magistrado aproxima o Poder Judiciário, na figura do CNJ, dos anseios das mulheres brasileiras por uma vida livre de violência.


Nilcéa Freire
Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres