Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Notícias. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Notícias. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Meio e Mensagem

Novo Correio da Bahia chega às bancas

por Ana Camila

_Hoje foi o comentário na cidade. Na Facom, quase todo mundo estava com a primeira edição do novo Correio da Bahia, o jornal pro qual todo mundo torce o nariz. A expectativa não era assim tão grande, afinal de contas o Correio tem toda uma história de descredibilidade da qual não vai se livrar fácil assim. Mas convenhamos, a nova versão do periódico é um jornal que se pode ler.

_Já não é mais Correio da Bahia, mas só Correio* (sim, com esse asterisco do lado). Já não é mais no formato tradicional, mas no berliner. Já não é colorido só em algumas páginas, mas em todas. A arte gráfica mudou completamente. E o editorial avisa: trata-se agora de um “jornal plural, democrático e comprometido com o desenvolvimento econômico e social”, e tem como meta atingir um número maior de leitores, dando um “passo importante para consolidar, no meio jornal, a liderança absoluta que já conquistou em TV e rádio”. Modestos como sempre. Agora o Correio diz que publica “o que a Bahia quer saber”.

_Verdade seja dita, o Correio está transformado. Quem disser que ainda vai preferir ler o A Tarde, grandão daquele jeito, fraquinho cada dia, será apenas por fidelidade ideológica. Não é que o Correio esteja, agora, melhor que o A Tarde, mas voltou a estar no páreo. Liderada pelo jornalista Rodrigo Cavalcante, a nova equipe do Correio eliminou algumas editorias, criou outras mais abrangentes e investiu numa linguagem que considera adequada aos “leitores dos tempos modernos”.

As novidades

_A primeira nova editoria é a “24 Horas”, com as últimas e mais relevantes notícias do dia anterior nas categorias Salvador, Brasil, Economia, Mundo, Esporte e Entretenimento. O texto priorizado aqui é o de nota, textos curtos e rápidos de ler, todas as informações escritas de forma curta e grossa, pra não ter desculpa de falta de paciência por parte do leitor (moderno, segundo eles).

_A editoria “Mais” se pretende ser uma parte com reportagens que sugerem a análise dos fatos, mas não é bem isso que acontece. É apenas a editoria na qual as matérias e reportagens continuam a existir, mantendo algum espaço, já que agora o que vale são as notas, textos curtos e notícias rápidas. Boas matérias pertencem a essa editoria, no fim das contas, como a que trata da questão de insegurança na UFBA, assunto que virou agenda na mídia baiana nos últimos dias, e a que fala sobre os roubos que os instrumentistas baianos sofrem também por esses dias. Mais ou menos no mesmo tema está a matéria sobre a degradação do patrimônio de azulejos em Salvador, vítima de vandalismo e descaso. Também esta editoria está dividida nas mesmas categorias de “24 Horas”. E em “Salvador”, quando o tema é eleições municipais, adivinhem só... ACM Neto é o cara, Imbassahy é o homem do mau, João Henrique é rejeitado e Walter Pinheiro talvez um dia tenha atenção de alguém. É, algumas coisas nunca mudam...

Jornalismo cultural é nulo

_“Vida” é o nome da editoria de cultura, comportamento e lazer. Infelizmente esse é o caderno mais mal aproveitado do novo Correio. Suas 14 folhas contam com apenas duas matérias (uma sobre as academias dedicadas apenas ao público feminino e outra sobre os fãs de João Gilberto que acabaram com os ingressos à venda do seu show no TCA em 41 minutos), e o resto é todo dedicado a trivialidades como divulgação dos mais caros réveillons de Salvador (meu deus, estamos em agosto ainda), uma retrospectiva dos 30 anos do Correio (cof cof), um perfil de Murilo Benício (sou só eu ou alguém mais quer saber por que Murilo Benício?) e uma nota sobre a Oi Fashion Music. O resto é o de sempre: programação de cinema, televisão e alguns poucos eventos que acontecem na cidade, em geral aqueles dos quais já ouvimos falar. Nada de comentários sobre livros, shows, filmes, peças ou outros espetáculos, nada de colunas que não a coluna social – com exceção, devo mencionar, da coluninha do Hagamenon Brito, o melhor colunista baiano, em minha opinião, sobre o fenômeno João Gilberto. Trocando em miúdos, o novo Correio em nada contribui para o jornalismo cultural na Bahia, que é tão pobre e mal aproveitado nos jornais impressos do estado. Lástima.

_A surpresa ficou mesmo com a editoria de Esporte. Suas 14 folhas estão repletas de notas e matérias que dão atenção não somente ao futebol baiano, nacional e mundial, mas a outros esportes como o surfe, o ciclismo e o rali. O caderno de Esporte está repleto de informações por todos os lados também em forma de notas na parte superior das páginas, abrangendo o mundo do esporte por toda a Bahia, Brasil e mundo. Organizado e interessante, acaba tornando o caderno menos chato pra quem não está nem aí pra esporte.

Versão online

_O site do Correio também mudou, mas não tem muita coisa por lá. O que mudou mesmo foi o visual, que acompanha a mudança do impresso, mas ainda tem que comer muito feijão com arroz pra ser um portal de referência no jornalismo baiano. Notícias de última hora são publicadas na editoria “24 horas” O destaque vai pro fato de a versão impressa poder ser lida gratuitamente através do site, e do investimento em blogs, uma tendência dos sites dos grandes jornais. O jornalista Hagamenon Brito ganhou um blog (graças a deus), o que despreocupa os fãs da sua agora extinta coluna “Parabólica”, já que parece que o blog manterá a mesma linha. No mais, o site interage com os leitores através de enquetes, fóruns, abusa de vídeos e fotos, permite comentários nas notícias, mas o clima é ainda de experimentações e testes, nada muito expressivo.

_Em tempo: o Correio, nos dias de semana, custa apenas 1 real. Não é por nada, não, mas quem ainda compra jornal vai preferir dar 1 real num jornal com formato berliner, colorido e bonitão a dar 1,75 no velho A Tarde. Dizem que o Correio não está querendo roubar os leitores do seu principal concorrente, mas atrair novos leitores. Quem tá comendo essa história? Resta saber agora como será o Correio do fim de semana, o que ele fará com cadernos bacanas como o Correio Repórter, por exemplo, e que outras surpresas trará. Pro bem do jornalismo baiano, esperamos que sejam surpresas boas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Meio e Mensagem

Relíquias hi-tech da notícia

Por Amanda Luz

_Apesar do jornalismo ser uma atividade relativamente recente, já virou artigo de museu. Os fósseis e antigüidades comuns ao universo da museologia deram lugar à alta tecnologia no museu americano dedicado às notícias e ao jornalismo.

_Inaugurado em abril deste ano, em Washington D.C., o Newseum oferece uma experiência hi-tech e interativa aos visitantes em galerias que apresentam a história das notícias; a evolução da prática jornalística nos meios Internet, TV e rádio; primeira-páginas atualizadas de jornais ao redor do mundo; fotografias ganhadoras do Prêmio Pulitzer; notícias de fatos históricos como o 11 de setembro, queda do Muro de Berlim etc; dentre outras exibições. O visitante pode até filmar uma notícia, como um telejornalista.

Divulgação
_Localizado entre o Capitólio e a Casa Branca, o museu evidencia já na fachada, claro, a Primeira Emenda da Constituição Americana: aquela que garante a liberdade de imprensa, orgulho da democracia nacional. No interior, ao lado das galerias que exaltam a profissão, há ainda aquelas que apresentam algumas gafes e plágios jornalísticos.

_Para a construção de um prédio imponente e moderno, foram necessárias polpudas doações, oferecidas por empresas como New York Times, Time-Warner, NBC News, ABC News etc. Tudo devidamente registrado no website da instituição.

_Ao contrário dos museus vizinhos do Smithsonian Institute, que são gratuitos (e de qualidade, o que é importante), quem quiser visitar o Newseum tem que desembolsar entre $ 13 e $20.

Em memória aos colegas jornalistas

_Como americano adora um memorial, os jornalistas que morreram no exercício da profissão foram homenageados no Memorial dos Jornalistas, com seus nomes gravados num espaço especial. É possível, no site, visualizar os homenageados por nacionalidade. No link reservado ao Brasil, quatro páginas incluem nomes como Vladimir Herzog e Tim Lopes, dentre outros.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Circo Urbano

Fim da guerra do Iraque
Por Joseane Bispo


"Termina a guerra do Iraque”, essa foi a manchete do The New York Times de quarta-feira (13), que circulou nos Estados Unidos, principalmente em Nova York e Los Angeles. A notícia foi criação de um grupo de zombeteiros, como estão sendo chamados no país, que forjaram mais de 1,2 milhão de exemplares do jornal.

Na capa do jornal, o tradicional slogan do NYT - "Todas as notícias que vale publicar", virou "Todas as notícias que esperamos publicar". Uma das notícias destacadas na capa diz o seguinte: "A ex-secretária de Estado Condoleezza Rice garantiu aos soldados que o governo Bush sabia desde bem antes da invasão que Saddam Hussein carecia de armas de destruição em massa".

Outros títulos da primeira página dizem: "Aprovada lei do salário máximo"; "Nacionalizado, petróleo vai financiar esforços contra a mudança climática"; "Nação volta seus olhos para a construção de uma economia saudável". E na página 3, um anúncio de página inteira, também falso, dizia que a ExxonMobil celebrava o fim da guerra do Iraque e que a paz é "uma idéia com a qual o mundo pode lucrar", vale lembrar que a ExxonMobil, é a maior empresa de capital aberto do setor global do petróleo, que tem grandes interesses no Iraque pós-Saddam.




O jornal com 14 páginas, que supostamente foi criado por um grupo chamado Yes Men, cujos integrantes já se fizeram passar por funcionários da Organização Mundial do Comércio e anunciaram o fim da entidade, era um material bem produzido e conseguiu passar despercebido por muitos, com exceção do The New York Times, é claro, que disse por meio de uma porta-voz, Catherine Mathis estar investigando, "É falso e estamos investigando".

O grupo criou até um site (http://www.nytimes-se.com/), para divulgação da edição do jornal, em nota no mesmo, eles comentam como foi o processo de elaboração do material, declaram que o jornal levou seis meses para ser feito, que a impressão aconteceu em seis gráficas e a distribuição ficou a cargo de milhares de voluntários.

Bertha Suttner, que afirma ser uma das responsáveis pelo falso jornal, disse que a atitude foi uma proposta de garantir que o presidente-eleito dos EUA, Barack Obama e outros democratas façam aquilo para que foram eleitos, "Após oito, talvez 28 anos de inferno (desde a eleição de George W. Bush e Ronald Reagan, respectivamente), precisamos começar a imaginar o céu", argumentou.

Os Yes Men, retratados em um livro e um documentário em 2004, também já se fizeram passar por executivos da ExxonMobil e do Conselho Nacional do Petróleo para discursar numa conferência canadense sobre o petróleo. Em outra ocasião, se disfarçaram de agentes do órgão federal de habitação e prometeram, num evento diante do prefeito de Nova Orleans e do governador da Louisiana, liberar residências públicas abandonadas para milhares de habitantes pobres da cidade.

Mas, segundo o blog "City Room", ligado ao próprio jornal, eles não são os primeiros a falsificar o NYT, o caso mais famoso ocorreu durante uma greve de jornalistas em 1978, e envolveu nomes como o repórter investigativo Carl Bernstein, o escritor Christopher Cerf, o humorista Tony Hendra e o editor da Paris Review, George Plimpton. Há rumores de que o responsável seja um grupo de redatores de vários jornais tradicionais, inclusive o The New York Times.

A Guerra


Iniciada em 20 março de 2003, quando os EUA, com o apoio do Reino Unido, Espanha, Itália, Polônia e Austrália, invadiram o Iraque. A guerra teve como justificativa, a suposta existência de armas de destruição em massa em poder do então ditador iraquiano Saddam Hussein, que não foram encontradas.

Ainda sob o impacto dos ataques de 11 de setembro de 2001, quando a rede terrorista Al Qaeda, sob comando de Osama bin Laden, promoveu ataques simultâneos às torres gêmeas do World Trade Center (Nova York) e ao Pentágono (Washington), a população apoiou a iniciativa da chamada guerra preventiva, ou seja, atacar o Iraque antes de sofrer um ataque. Em abril de 2003, as forças da coalizão chegam a Bagdá e tomam o controle da capital, Saddam não é encontrado. Os rebeldes passaram a promover ataques contra soldados e civis, matando milhares de pessoas.




Os planos da Casa Branca de estabelecer uma guerra "rápida e cirúrgica", com poucas mortes de civis, são frustrados pelos sucessivos e sangrentos ataques suicidas de rebeldes. Em agosto de 2003, um caminhão-bomba explode sob a sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Bagdá. O atentado suicida deixa 22 mortos, inclusive o embaixador brasileiro Sergio Vieira de Mello, enviado da ONU ao Iraque.

Em fevereiro de 2006, outro atentado a bomba destrói uma mesquita xiita em Samarra, o ataque dá início a uma onda de violência sectária sem precedentes no país. Em novembro do mesmo ano, seis carros-bomba explodem em diferentes partes do bairro da Cidade Sadr, bastião xiita em Bagdá, causando as mortes de mais de 200 pessoas.

Hoje, descartando todos os interesses e desculpas político-econômicas para a perpetuação de cinco anos de guerra, a única certeza que temos é que as maiores vítimas foram inocentes civis. De todos envolvidos, a população iraquiana será sempre a grande perdedora de uma intervenção que, entre outros argumentos, invoca a “libertação” de um regime opressor e a criação de condições de exercício de direitos e garantias fundamentais, mas facilmente poderá resvalar para uma situação de pura “ocupação”, de conseqüências sociais e políticas imprevisíveis.

Desde o começo da guerra, 1,9 milhão de iraquianos se deslocaram internamente e outros 2,1 milhões deixaram o país, sem falar nas inúmeras vítimas, inclusivo diversas crianças, que foram mortas, mutiladas, ou que tiveram toda a família exterminada. Ao contrário do que o Pentágono havia prometido antes da guerra, diversos civis iraquianos morreram vítimas de bombardeios e ações exageradas das tropas da coalizão. A avançada tecnologia, com as bombas inteligentes, nem sempre acertou os alvos desejados, mas sim mercados públicos e residências.

Embora este monstruoso genocídio ainda esteja longe do fim, como afirma a pesquisadora em Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Júlia Camargo, já se pode contabilizar, segundo um estudo, cujos resultados foram recentemente publicados pela revista médica britânica The Lancet, o número de vítimas até hoje, o balanço já é superior a 650000.
De tudo isso resta-nos apenas torcer para que a guerra no Iraque pare de assombra o dia-a-dia de milhões de pessoas que, em todo o mundo, sofrem e virão a sofrer, direta ou indiretamente, com um conflito de conseqüências que só o tempo permitirá avaliar. E continuar sonhando juntamente com Os Yes Men, para que um dia, não muito distante, o The New York Times estampe verdadeiramente, em sua primeira página a manchete: “Finalmente, termina a guerra do Iraque”.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Prova dos Nove

Ufba não poderá mais cobrar por emissão de diplomas e certificados
Por Gabriela Vasconcellos

_De acordo com uma determinação do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA), a Universidade Federal da Bahia (UFBa) não poderá mais cobrar para emitir diplomas, certificados, transferências, históricos escolares, avaliação curricular, trancamento parcial ou total de disciplina e outros documentos para os seus alunos, independentemente da condição financeira e social destes.

Foto: Núcleo de Notícias

_Desde 2007 que o MPF havia entrando com esse pedido, mas só em agosto deste ano a liminar da 6ª vara foi acatada pela Justiça. A UFBa não recorreu da liminar. As únicas taxas mantidas são as de registro e validação do diploma, pois são serviços disponibilizados para pessoas que não estudam na universidade.
_Lembrando que, está em vigor uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que declara inconstitucional cobrar taxa de matrícula nas universidades públicas.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Meio e Mensagem

Na pior das hipóteses, o mais bonito da Bahia

por Tarcízio Silva


_E o incensado novo Correio da Bahia foi lançado. Na Faculdade de Comunicação da UFBa, os comentários dos proto-jornalistas eram variações sobre “virou revista”. A qualidade gráfica, que não é nada tão excepcional em termos absolutos, incomum no jornalismo do estado foi o motivo do espanto. Mas nem toda revista é especializada e nem todo jornal é 80% texto e 20% foto p&b borrada, apesar do que faz(ia?) crer o jornalismo impresso baiano.

_Seguindo o clima de renovação da reforma editorial (ver matéria de Ana Camila), o Correio da Bahia contratou a empresa de consultoria em mídia Innovation para criar o novo projeto gráfico do jornal. É tendência mundial a substituição do formatão standard por formatos menores como o tablóide ou o berliner que o jornal adotou. Logo na primeira página o maior elemento (mais de 60% da área) é uma fotografia que toma metade do espaço. Dentro desta, "Correio da Bahia" agora é apenas "Correio*". Apenas uma palavra, e o asterisco do mesmo vermelho do "Bahia" em "O que a Bahia quer saber", frase que acompanha o logotipo. Asterisco que remete à exclamação do Yahoo! e tantas marcas web com sinais gráficos.

_A criação da redação informatizada, as incursões mais vigorosas pelo webjornalismo, e finalmente a reforma editorial e gráfica do jornal são todos decorrência da disseminação do acesso à internet no Brasil. A indústria de informação impressa se encontra em crise e, para manter-se viva acaba tanto por migrar parcialmente de mídia quanto por incorporar técnicas, estéticas e recursos característicos da internet no próprio produto impresso.

_Os degradês de laranja sumiram, graças aos deuses. A arquitetura de informação está muito melhor desenvolvida. Acima das chamadas, o número da página vem, em cor vermelha, ao lado do nome da editoria. E nada da redundância de repetir que o número é de “página”. No miolo, o topo de praticamente todas as páginas é composto de pequenas notas de 60 ou 120 palavras em média. Mesmo a seção "Mais" que apresentaria material mais longo e jornalístico - no sentido rigoroso da palavra - mantem as notinhas. A exceção é a editoria "24h", que abre o jornal com notícias mais quentes e tem uma estrutura mais livre.



_A imagem acima mostra apenas duas das dez páginas que apresentam infográficos, entre as sessenta e quatro que totalizam a publicação. Apesar de uma produção longe da qualidade apresentada pela Folha de São Paulo, a equipe de André Renato Malvar, além da retrospectica de 30 anos de Correio*, também representou visualmente bem os pontos de falta de segurança dos campi da UFBa e as contratações do Esporte Clube Bahia.

_Jornalismo cultural nulo (faço minhas as palavras de Ana Camila) na publicação, mas informação mais direta. A agenda de cinema apresenta as salas e horários em uma tabela bem mais prática e opta por não poluir a página com informações sobre produção, diretor e elenco pra um público que não está interessado nisso, ao menos não no jornal.

_Para mais conteúdo sobre a relação entre internet e jornalismo impresso, ouça o podcast de Fernando Firmino chamado “Tablodização dos jornais diante do impacto da internet”. Firmino é jornalista, doutorando do Poscóm-UFBa e blogueiro do Jornalismo Móvel.

_Clique abaixo para ver o anúncio, realizado pela Propeg, que exalta o novo Correio* e sua "diagramação dinâmica e moderna, sem precedentes na história da imprensa brasileira".

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Revista Lupa - Nº 4

Sobre a Lupa.

A Revista Lupa é uma publicação da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A Sua distribuição é gratuita.

A Revista-Laboratório, chega a sua quarta edição. Trata-se de uma publicação voltada para os temas da atualidade, além de assuntos relativos à educação e cultura. Um espaço para que os alunos possam exercer a prática jornalística e ao mesmo tempo promover discussões críticas que contribuam para seu crescimento profissional e pessoal, assim como dos leitores.

Acreditando que a revista Lupa traz uma importante contribuição para o jornalismo universitário baiano, a turma 2007.2 da disciplina Temas Especiais em Comunicação, sob a orientação da Professora Graciela Natansohn, procura promover esta publicação, tornando-a conhecida pela comunidade acadêmica e pela sociedade.

O grupo de Assessoria de Comunicação da Revista Lupa, edição nº 4 (que está em processo de produção) dá as boas vindas a todos os visitantes. Este Blog tem o intuito de divulgar e integrar o veículo mediante o seu público.

Em breve, mais notícias sobre a Lupa 4.

Atenciosamente

Equipe de Assessoria de Comunicação - Revista Lupa

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Meio e Mensagem

Parada para Lésbicas
Por Luis Fernando Lisboa

_Desde o mês passado, o público homossexual e bissexual feminino tem mais uma ferramenta de entretenimento e informação na internet. O site "Parada Lésbica" criado pela publicitária e web designer Del., de 28 anos, traz notícias, artigos exclusivos e uma seção específica sobre temas que envolvem a mídia LGBT. A criadora do portal destaca que sentiu a necessidade de produzi-lo, por conta da escassez de sites dedicados às lésbicas e bissexuais.

_“Buscando informações, procurando por sites lésbicos, achei poucos em português, a grande maioria são blogs ou portais GLS em geral, geralmente voltados mais aos gays... Portais de assuntos gerais dá pra citar uns dois no máximo de relevância.”, disse Del. ao site que também possui conteúdo lésbico: Dykerama (clique aqui e acesse o Dykerama).

_O novo portal busca a interação com as internautas, uma relação entre aquelas que escrevem e aquelas que lêem. Um exemplo disso é a coluna chamada: “Sapas no Divã”, onde as internautas podem pedir ajuda sobre dilemas sentimentais para a equipe do site. Os textos do site são atualizados diariamente, e as leitoras também podem contribuir. Sobre isso a idealizadora do site, Del., disse ao site Dykerama que pretende dar espaço a talentos espalhados pela “rede” e está positivamente surpresa com a qualidade da produção textual que o "Parada Lésbica" tem recebido.

_ Com uma equipe formada apenas por mulheres, o site possui inovações como uma seção para downloads de filmes, seriados e mp3, e uma seção chamada “Litararium” onde são publicadas poesias e contos eróticos. O portal “Parada Lésbica” também traz um “Orkut lésbico”, chamado “Leskut”, onde são postadas fotos, músicas e podem ser criados grupos e comunidades. “O Parada Lésbica quer agradar gregas e troianas”, destaca Del.

Clique e acesse o site "Parada Lésbica"

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vivendo numa bolha

por Mariana Almofrey Nogueira


Ontem foi o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Com o intuito de chamar atenção para a realidade de preconceito e estigmas que sofrem os portadores do vírus HIV, o Programa Nacional de DST e Aids realizou uma intervenção urbana, “O preconceito isola”.

Uma grande bolha transparente foi montada na Praça dos Três Poderes – em Brasília. Ao longo de todo o dia, um jovem ficou dentro dela, isolado das pessoas que estavam no ambiente externo.

Na base da bolha podia-se ler os dizeres do jornalista e sociólogo Herbert Daniel, que morreu no ano de 1992 em decorrência da Aids: “Há uma coisa dentro de mim, contagiosa e mortal, perigosíssima, chamada vida, lateja como desafio”.

De acordo com o site http://www.aids.gov.br/, a decisão de transformar o 1º de dezembro no Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi tomada em outubro de 1987 pela Assembléia Mundial de Saúde – com apoio da ONU.

A data é adotada no Brasil desde 1988. A intenção é que ela sirva como um reforço a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV.


O laço vermelho é visto como símbolo de solidariedade e de comprometimento na luta contra a Aids. O símbolo – criado em 1991 pela Visual Aids – foi escolhido por remeter a sangue e à idéia de paixão. Ele foi usado (publicamente) pela primeira vez no prêmio Tony Awards, pelo ator Jeremy Irons.

No Brasil, o tema da Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids deste ano tem como público alvo os homens acima dos 50 anos. Ela foi lançada no dia 25 do mês passado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão e tem como slogan: “Sexo não tem idade. Proteção também não”.

A maioria dos casos de Aids ainda está concentrada na faixa etária de 25 a 49 anos. No entanto, a campanha é pertinente porque a taxa de incidência entre pessoas acima dos 50 anos dobrou entre 1996 e 2006 – passando dos 7,5 casos por 100 mil habitantes para 15,7.

No site do Programa Nacional de DST e Aids, há uma página específica para a divulgação de notícias relacionadas aos eventos do Dia Mundial promovidos nos estados, municípios e organizações da sociedade civil.
Além de Brasília, algumas cidades brasileiras como, por exemplo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Manaus e Pernambuco organizaram intervenções para marcar o dia – que foi lembrado em vários países.
Em outras cidades da América Latina foram realizadas atividades – como manifestações, apresentações artísticas, fóruns, campanhas de comunicação, concursos e realização de provas rápidas voluntárias de HIV.
O diretor regional da Unaids para a América Latina, César Antonio Núñez declarou ontem que apesar dos grandes avanços no tratamento não se pode assegurar que a epidemia esteja controlada.

Prostituta indiana participa de caravana pelo Dia Mundial de Combate à Aids em Calcutá, na Índia


Em Jacarta, na Indonésia – onde se estima que nos últimos seis anos tenham ocorrido 150.000 novos casos da doença – ativistas participaram de uma campanha contra o vírus da Aids.

Na Europa a porcentagem de população infectada pelo HIV quase duplicou entre 2000 e 2007, segundo dados divulgados ontem pelo Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

sábado, 31 de maio de 2008

Maio de 2001



Há 40 anos o mundo rejeitava o conservadorismo moral. Em maio de 2001 estudantes baianos exigiam um basta no conservadorismo político


Por Filipe Lucio Costa


_Era um dia como qualquer outro, não fosse a estranha movimentação de estudantes no centro de Salvador. Eles chegavam aos montes e das mais variadas partes da cidade. O objetivo era promover uma manifestação contra uma das personalidades mais emblemáticas e sombrias da política nacional. Bloqueando as ruas e entoando gritos de protesto, exigiam a cassação do senador baiano Antônio Carlos Magalhães, envolvido no escândalo da violação do painel eletrônico do senado.
_Temendo a reação da polícia militar, os estudantes haviam decidido seguir até a residência do senador, destino final da manifestação, através de um acesso localizado dentro da Universidade Federal da Bahia, uma área, de acordo com a lei, fora do controle das polícias estaduais. Às 9 horas da manhã, mais de seis mil estudantes estavam concentrados no Campo Grande, um bairro nobre e movimentado, palco das principais mobilizações populares da cidade. Em seguida os manifestantes iniciaram, como planejado, o trajeto por dentro da UFBA, mas logo foram surpreendidos por centenas de policiais militares que, violando a lei, coisa não muito rara, invadiram uma área federal.
_Sete anos depois o dezesseis de maio de 2001, ainda é lembrado pela demonstração de força e coragem do movimento estudantil e pela brutalidade da polícia que sob o comando do então governador carlista César Borges, protagonizou cenas semelhantes aos embates do período da ditadura militar. Armados com revólveres, cassetetes e gás lacrimogêneo, os policiais reprimiram duramente a manifestação e transformaram o campus da UFBA em uma zona de batalha. Em uma comunidade no Orkut, quem participou do protesto relembra os momentos de tensão vividos naquele dia. (
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1593681). Um vídeo também ajuda a manter vivas na memória as cenas lamentáveis daquele dia: http://www.grifocomunicacao.com.br/imagens/choque.WMV .


Coronelismo - O episódio ilustra uma situação corriqueira no Nordeste, mas impensável e inadmissível em tempos de democracia. Políticos abusam do poder e reprimem qualquer iniciativa de oposição ao seu modo de governar, transformando ações como o protesto do dezesseis de maio, em atos de heroísmo passíveis de graves conseqüências que vão desde ameaças a assassinatos.
_A cena política da região, só agora, passa por profundas mudanças. Sai um sistema político anacrônico e perverso e ganha espaço um espírito democrático. As oligarquias, formadas por famílias que controlam o poder desde o período da ditadura militar e, após a reabertura democrática, conseguiram se manter no comando lançando mão de métodos nem sempre claros, perdem força. O grande representante desse tipo de governo era o político baiano Antônio Carlos Magalhães. ACM, até pouco tempo atrás, controlava grande parte da câmara dos deputados, a maioria das prefeituras da Bahia, inclusive da capital, o governo do estado e as duas vagas da Bahia no senado federal. Um poder que lhe conferia o status de grande líder político.
_ACM despertou paixões e ódios no estado. Assim como possuiu um eleitorado cativo, acumulou uma gama de opositores dispostos a romper, a qualquer custo, com sua hegemonia. Havia motivos para essa divisão. ACM foi um dos apoiadores do golpe militar de 1964 e sua vida política sofreu uma notável e curiosa ascensão durante o período ditatorial. Enquanto apoiava o regime repressor e autoritário, fazia um governo populista, aparentemente, voltado para os pobres, conquistando, assim, a simpatia e admiração desta parcela da população. Sob seu comando, Salvador transformou-se em canteiro de obras e importantes avenidas foram construídas.
_Nas eleições que antecederam sua morte, porém, o império carlista, desgastado e isolado politicamente, sofreu um duro golpe. A seqüência de 16 anos no comando do governo da Bahia foi interrompida pelo seu principal adversário, o candidato do PT, Jaques Wagner. O fim do casamento entre o povo baiano e ACM pegou todos de surpresa, não foi compreendido nem pelo próprio cabeça branca. Após perder a prefeitura de Salvador em 2004, ACM alimentava a esperança de mostrar sua força se mantendo no governo. Não conseguiu.


Realidade x ficção - A forte propaganda utilizada pelo candidato apoiado por ACM não foi suficiente para esconder os pífios indicadores econômicos e sociais. A Bahia apresenta após longos anos sob o comando do carlismo, o maior índice de analfabetos do país, de acordo com pesquisa, recentemente divulgada, feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). As más notícias não param aí: o estado é o quarto em número de pessoas que vivem com menos de 80 reais por mês e o que mais precisa de investimentos, entre todos os estados do país, para solucionar a questão da miséria, aponta um estudo de 2001 da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Diante destes dados, motivos não faltam para explicar o recado das urnas. Francisco de Oliveira, sociólogo e ex-professor da USP, diz que "o carlismo já era". Segundo ele, vários fatores contribuíram para a derrocada do reinado de ACM. "A industrialização, a urbanização e o voto obrigatório fizeram com que o carlismo fosse diminuindo aos poucos. Agora todos votavam, não só os subordinados dele. Houve uma melhoria na captação da voz das pessoas, elas foram ouvidas e tendo mais opções acabaram não vendo somente no carlismo a única forma de governo". Ele rechaça a idéia de que o carlismo tenha capacidade de renovação com o surgimento de novos políticos como o neto do senador, o deputado federal mais votado nas últimas eleições na Bahia, ACM Neto, pré-candidato a prefeito da capital. "Não, e não tem mesmo. ACM Neto tem o poder da altura de sua estatura: um anão. Ele não conseguiria montar a mesmo império do avô e por um motivo simples: o tempo para isso acabou".


Moderno - Considerado por muitos como anacrônico no seu modo de pensar a política, ACM não tardou em descobrir que os meios de comunicação, sobretudo os mais modernos, são aliados importantes na luta pela manutenção do poder. Tratou de arranjar concessões públicas de TVs e rádios, a maioria obtida durante a ditadura militar, quando chegou a ser ministro das comunicações do Brasil.
_ACM é o proprietário da principal emissora de televisão da Bahia: a Tv Bahia, afiliada da Tv Globo no estado, é líder de audiência e tem como presidente o filho do senador, Antônio Carlos Magalhães Junior. Além da TV, o grupo fundado por ACM controla mais de 80 rádios em todo o estado e o segundo jornal de maior circulação, o Correio da Bahia, que durante os governos dos aliados à ACM recebeu pomposas verbas publicitárias.
_À exceção da TV, que hoje, por pressões da Rede Globo, adota uma postura mais próxima dos critérios de imparcialidade jornalística, os veículos de comunicação do grupo serviam apenas, até bem pouco tempo, para publicizar os "feitos" do senador e seus aliados políticos e destacar "deslizes" de seus adversários.
_Em 2001, no emblemático 16 de maio, por exemplo, a TV de ACM entrou em conflito com a Rede Globo por não enviar equipes de reportagens para cobrir a repressão policial contra professores e estudantes da UFBA, que protestavam em favor da cassação do senador ACM. A Rede Globo havia solicitado à sua afiliada reportagens sobre o fato, que tinha obtido grande repercussão em outros veículos. A TV Bahia não enviou nem mesmo imagens, as quais a TV Globo teve de comprar da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Na ocasião, a Rede Globo ameaçou não renovar seu contrato com a Tv Bahia. Desde então, a emissora possui uma relativa autonomia e é poupada de intervenções de viés político.
_Talvez por obra do acaso, maio costuma ser um mês propício não só para casamentos como também para revoluções.