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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Lupa Entrevista

Exclusivo!

BLOG DA LUPA ENTREVISTA O ASSASSINO DOS LACTOBACILOS!

Por Amanda Luz


"Manheeeê, tem lactobacilos vivos no meu Yakult!" O Instituto Lupa de Pesquisa, após mais de 20 anos de estudos apuradíssimos (e secretos), atesta: 10 entre 10 crianças ficam intrigadas com o “contém lactobacilos vivos” do Yakult. Quando crescem, no entanto, a frase parece não surtir mais tanto efeito nas mentes e coraçõezinhos dos amantes de Yakult. Exceto, entretanto, na mente de um destes.

Se existem aqueles adultos que gostam de prolongar a infância, o publicitário paranaense Tiago Lenartovicz é um deles. Com sua imaginação fértil, Tiago não só não esqueceu a dúvida existencial que percorreu sua infância, como foi além: criou um projeto para o curso de pós-graduação baseado nos tais “lactobacilos vivos”. O resultado é um vídeo hilário que tem feito sucesso entre youtubianos de todas as faixas etárias. (veja post anterior aqui no Blog da Lupa)

Em um bate-papo virtual, o criador de A Morte dos Lactobacilos Vivos – Live Lactobacillus Dead conta mais detalhes sobre o projeto e traça planos para o futuro.

Confiram a entrevista com aquele que tem ameaçado a soberania da flora intestinal (ok, os iogurtes ainda são os suspeitos principais):



BLOG DA LUPA: Como foi que surgiu a idéia desse projeto?

TIAGO: O vídeo foi realizado para o curso de pós-graduação de mídias interativas na Unopar (Universidade do Norte do Paraná). Tive que fazer um material áudio-visual e pensei em um trailer. Eu, desde pequeno, ouvi a história de “lactobacilos vivos” e isso sempre me intrigava, “como é que tem coisa viva nesses potinhos?! E se eles morressem?” Isso ficou, e aí então surgiu como tema para o trailer.

BL: Você teve alguma ajuda na elaboração do projeto ou das cenas?

TIAGO: A elaboração foi feita por mim. Para a montagem dos personagens, tive referências da toy art, como cores e traços. Para os cenários e iluminação, fui usando tudo que tinha em casa. Tive ajuda da minha irmã, Juliana, no processo de dublagem, ela fez a voz feminina. Eu até tentei fazer, mas ficou parecendo travesti, não ficava legal (risos)...

BL: Uma das características que podemos destacar aqui seria a grande riqueza de detalhes, tanto na caracterização e cenários, quanto no roteiro. Quanto tempo levaram as filmagens?

TIAGO: Pelo projeto ter sido para o curso que fiz, tive que cumprir um prazo determinado, que foi curto e só tive tempo livre pra me dedicar a isso à noite. Então, entre o processo de elaboração do roteiro até a edição final, creio que duas semanas.

BL: O que foi mais difícil no processo de produção?

TIAGO: A edição foi complicada, porque eu nunca havia feito um trabalho de edição mais completo, sabia pouca coisa, o básico mesmo... Apanhei um bocado, mas no fim deu tudo certo.

BL: Quanto ao inglês "tosco", intenção ou acidente?

TIAGO: Acho que esse é o comentário mais feito sobre o vídeo... Então, o inglês é proposital! A idéia inicial era de fazer algo para ser legendado. Pensei em um idioma próprio para os personagens, fiz um teste, mas o som ficava muito evidente, poluía a cena... Então optei pelo inglês. Fiz de forma superficial e com erros, sem intenção de ser exato, como mais uma forma de sátira aos trailers americanos.

BL: Quase 200 mil pessoas assistiram ao vídeo no Youtube, além de já terem sido publicadas matérias na página de Cultura e Lazer do Estadão e no Blog da Superinteressante. Como está a repercussão? Já está rolando algum convite ou há algo em vista?

TIAGO: Pois é, não esperava que houvesse essa repercussão toda. Fico muito surpreso em ver mais e mais pessoas comentando, elogiando o vídeo e matérias surgindo. Agora em relação a convites, estou estudando uma proposta pra posar nu (muitos risos) Brincadeira, não põe isso não! (risos) Na verdade, não tive nenhum contato relacionado ao lado profissional, seria muito bom se tivesse, se alguém se interessasse. Posso divulgar o e-mail? Então, ó: lactobacillusproject@gmail.com

BL: Por fim, haverá ou não, o tal filme que o famoso trailer faz propaganda?

TIAGO: Recebo muitos e-mails e recados pelo Orkut com essa pergunta e pedindo o filme. A verdade é que eu não tinha a intenção, mas estou pensando em algo como uma série... As pessoas criam expectativas com o que já foi feito, e pode haver um risco de não corresponder com algo novo. Por isso, só farei algo quando montar um projeto bom, que possa ser tão bacana quanto esse. Mas, assim que houver novidade, eu aviso pra que vocês possam ajudar na divulgação!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Prova dos Nove

“Se eu posso adicionar bondade ao Youtube, então isso me deixa feliz”

Por Amanda Luz

_Ensinar é uma arte. Manter dezenas de crianças atentas à aula não é tarefa das mais fáceis. Longe de trazer manobras de programa de auditório para a sala de aula, Tony Dusko, 37 anos, resolveu usar seu talento artístico de uma outra forma para cativar a atenção dos seus alunos.

_O resultado do seu trabalho é o Notebook Babies, uma série de animações curtas, que tem feito sucesso entre todas as faixas etárias no Youtube. O professor americano ensina crianças a tomar conta dos animais e a fazer tarefa, por exemplo, de um jeito que só quem é criança -- ou entende muito bem delas -- consegue. A temática é universal, a linguagem é cativante, a animação é simples e bem-feita. A soma disso tudo fez com que os vídeos se tornassem uns dos mais vistos na Internet ao redor do mundo.

_Diretamente da Pensilvânia para a Lupa. Em entrevista por e-mail, o professor-artista conta porque largou a carreira na Microbiologia para dar aulas e como surgiu a idéia de criar os personagens bobinhos, mas que no fim fazem tudo certo, de Notebook Babies.

Blog da Lupa: Notebook Babies são personagens engraçados que ajudam as crianças a aprender valores, mas como crianças. Como foi que surgiu a idéia de trazer a animação pra sala de aula?

Tony Dusko: Se você assistir meu vídeo “Mr. Dusko” (No vídeo, ele conta que a idéia surgiu após as crianças fazerem certa confusão na fila do lanche. Desse episódio nasceu o primeiro personagem: um “sanduíche-de-queijo-quente”), você vê como eu comecei a usar a animação. Basicamente eu descobri que ela é uma ótima forma de animar qualquer aula e faz com que as crianças prestem atenção no que você irá ensinar. Eu amo mostrar os vídeos antes da aula, pra deixar eles mais interessados.

BL: Como suas animações tornaram as aulas mais interessantes?

TD: Meus alunos querem sempre que eu continue fazendo novos vídeos, então eu uso isso como recompensa após um bom trabalho deles.

BL: O que você considera como mais importante na sua vida de professor que antes você não tinha na vida de biólogo microbiologista?

TD: Cada dia é diferente, eu amo isso na rotina do professor. Nunca é entediante!

BL: Seus vídeos são sucesso hoje na Internet. Você esperava receber uma resposta tão positiva de tantos lugares ao redor do mundo?

TD: Não, não mesmo. Eu só pensei que algumas pessoas iriam ver e gostar deles, mas é muito legal poder compartilhar isso com tantas pessoas e ouvir comentários tão bacanas sobre meu trabalho.

BL: Você tem filhos?

TD: Não ainda.

BL: Seu trabalho, antes de tudo, ao tratar de temas infantis, usa uma linguagem universal que ultrapassa diferenças culturais. O que você recomendaria aos educadores, professores e pais, no Brasil?

TD: Eu acho que há muito conteúdo na TV e Internet que não é bom para crianças. Mas há também bom conteúdo feito por pessoas boas. Seja apenas cuidadoso para monitorar suas crianças quando eles estão no computador ou assistindo à TV. Tente aproximar elas do que é bom e afastar do que é ruim. Se eu posso adicionar um pouco de bondade ao Youtube, então isso me deixa feliz.

_Confira o vídeo “O que é um amigo?” (abaixo), campeão do Mobifest Toronto Film Festival, no Canadá, em 2007.



_Veja mais:

- Notebook Babies no Youtube
- Página pessoal de Tony Dusko
- Página do Notebook Babies

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Passepartout

Infiel – A História da Mulher que Desafiou o Islã
de Ayaan Hirsi Ali

Por Ana Camila

_Dentro da programação do Fronteiras do Pensamento, série de conferências com intelectuais de todo o mundo que acontece simultaneamente em Porto Alegre e Salvador, está prevista uma conferência com Ayaan Hirsi Ali para o próximo dia 1º de julho (ainda não confirmada). Ayaan é uma somali que, após viver em uma série de países africanos e islâmicos, resolveu que não pertencia àquela cultura e se mudou para a Holanda, onde se tornou deputada, sempre lutando a favor dos direitos da mulher muçulmana.

_Ayaan, como se pode perceber, é polêmica. E em sua auto-biografia, Infiel, lançada em 2007, ela conta toda a história de sua vida, desde os cinco anos de idade até depois de ter praticamente sido obrigada a deixar a Holanda e se mudar pros Estados Unidos. A história de Ayaan é precisamente a história do que os ocidentais imaginam que seja a vida de toda e qualquer mulher da religião muçulmana – e Ayaan trabalha em cima disso. Sua trajetória não foi nada feliz, tampouco agradável, e ela nos conta isso com todos os detalhes, os detalhes que “todos querem ignorar”, como coloca a própria em determinado momento do seu relato.

_Em 500 páginas, o que se observa de Infiel é mais uma tentativa violenta de afronta à religião muçulmana que um relato honesto e ponderado. Para Ayaan, o islamismo é o mal de toda a humanidade, nenhuma mulher é feliz nem de longe e os homens são todos uns brutos e exploradores das mulheres (nos mais diversos sentidos). Com base nas suas experiências pessoais e na sua tentativa de resistir a um meio no qual nunca se sentiu em casa, Ayaan se dedica a demonizar a religião islâmica, e o faz com competência.

_Mas é difícil não observar o, muitas vezes, ingênuo posicionamento de Ayaan, principalmente considerando o seu óbvio deslumbramento ao chegar à Holanda, o “mundo ocidental e civilizado, onde as pessoas te respeitam pelo que você é”, como afirma a autora. O conflito “oriente x ocidente” a partir de Ayaan toma uma forma bastante infantil e maniqueísta, e em um dado momento fica complicado tomar partido de Ayaan, principalmente no capítulo em que ela relata como é maravilhoso viver num país ocidental, como tudo é lindo, como as pessoas são gentis, e até mesmo como o Deus deles é melhor!

_O problema de Infiel não é a sua tentativa de denunciar um fato que não precisa de denúncia no ocidente (público para o qual o livro está destinado), é a circunstância na qual a autora se encontra – livre das amarras religiosas, ela se sente livre como um pássaro, e apesar de clamar para si um senso crítico em relação à cultura muçulmana, não parece ter nenhum no que diz respeito à cultura ocidental (e não necessariamente cristã). Apesar de comovente, há uma grande dificuldade em comprar o relato de Ayaan como realidade, mas apenas como uma versão dela – e uma versão por demais temperada. Infiel é como aqueles filmes de terror que não somente insinuam a violência, mas a mostram em close-up. Porque, claro, você tem que se sentir mal.

_Ayaan Hirsi Ali hoje vive sendo ameaçada de morte por “fanáticos religiosos”, que não aceitam o seu posicionamento crítico e por vezes ofensivo em relação à religião islâmica. A autora se dedica a dar entrevistas e conferências pelo mundo, para alertá-lo sobre a vida à qual as mulheres muçulmanas são sujeitadas em seus países de origem. Segundo Ayaan, o ocidente tem que interferir nos países muçulmanos, impedir que as mulheres sejam tratadas como animais. Países como a Holanda têm que acabar com essa história de abrir colégios muçulmanos para os filhos das mulheres refugiadas, porque há de haver essa mescla, esse intercâmbio cultural entre crianças cristãs e muçulmanas. Para Ayaan, que hoje em dia se proclama atéia, a única razão de assumir essa vida agora arriscada é alertar o mundo da situação da mulher muçulmana.

_Principalmente após a morte do cineasta Theo Van Gogh, assassinado por homens muçulmanos em razão do filme “Submission”, dirigido por Theo e roteirizado por Ayaan, a autora tem ido a todas as redes de televisão de diversos países, pegar o gancho da tragédia para falar sobre a questão da mulher. “Submission” é uma provocação de Ayaan, um curta de dez minutos no qual se vê uma mulher muçulmana falando de sua vida, como é tratada por seu pai e outros membros da família, mas em um texto irônico e imagens sensuais do corpo dessa mulher. O vídeo seria o primeiro de três, mas com o assassinato de Theo o projeto teve fim.

Assista ao vídeo “Submission”:

_Vivendo cheia de guarda-costas por onde quer que vá, Ayaan continua sua luta em favor dos direitos das mulheres da sua ex-religião. Onde quer que vá recebe aplausos (dos ocidentais, claro), mas, em meio a tanta polêmica em suas declarações, vez ou outra alguém decide colocá-la contra a parede e contestar suas afirmações acerca da situação da mulher islâmica, dos países muçulmanos e do seu lugar de fala, sendo uma “ex-muçulmana” e atéia. Como no vídeo que segue abaixo:

http://youtube.com/watch?v=vg8AYs56RAY

_O próximo livro de Ayaan Hirsi Ali já se encontra em pré-venda nas principais livrarias do país. Trata-se de A Virgem na Jaula, uma coletânea de textos escritos pela autora que abordam a sua indignação com o modo como o ocidente trata o oriente. Ayaan acha que os países ocidentais têm de ser mais duros com os orientais. Será?



_A participação de Ayaan Hirsi Ali no Fronteiras do Pensamento em Salvador está prevista para o dia 1º de julho, às 20h no Teatro Castro Alves. A produção do evento ainda aguarda confirmação e maiores informações podem ser obtidas no site do Fronteiras.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Meio e Mensagem

Infográfico
por Camila Queiroz

_O infográfico é um recurso visual de articulação entre textos e imagens, geralmente utilizado para ajudar a compreensão de matérias e para apresentar informações mais complexas de forma divertida e atraente. Os infográficos têm ganhado destaque nos meios de comunicação, especialmente nas revistas e, cada vez mais, na internet.

_A Super Interessante é uma revista que utiliza freqüentemente esse recurso e que, particularmente, apresenta excelentes infográficos a cada edição. O vídeo a seguir mostra como são feitos os infográficos da Super.



_O site G1 também apresenta diversos infográficos – geralmente interativos - em suas matérias. Em uma seção do site, a equipe do G1 ensina passo-a-passo como eles são feitos: apuração, primeiro rascunho, storyboard, segundo rascunho, modelagem em 3D, texturização e renderização, programação e animação, revisão e publicação.

_Para quem se interessar por este assunto, reuni alguns links interessantes:
* Alguns infográficos marcantes do G1 – confira aqui.
* Todos os infográficos produzidos pela Super on line – confira aqui.
* 6 regras básicas da infografia, do Curso Abril de Jornalismo – confira aqui
* Infográfico em vídeo da Super e do estúdio Royal Pixel – Por dentro dos Planetas

terça-feira, 29 de abril de 2008

Meio e Mensagem

A Morte dos Lactobacilos Vivos
- Live Lactobacillus Dead -
O equilíbrio da flora intestinal está condenado!

Os Yakults estão sendo aniquilados. A causa é um vírus malígno disseminado pelos Iogurtes, seres superiores que dominam o mundo apenas pelo fato de terem sabores. Essa é a mirabolante história que permeia o "filme" A Morte dos Lactobacilos Vivos. Criado pela mente fértil do publicitário Tiago Lenartovicz para um trabalho de pós-graduação da Universidade Norte do Paraná o vídeo é sensação no youtube e tem até comunidade no orkut.

Confira o Trailer.



Visite a comunidade do vídeo - A Morte dos Lactobacilos Vivos

Por Marcel Ayres

sábado, 31 de maio de 2008

Maio de 2001



Há 40 anos o mundo rejeitava o conservadorismo moral. Em maio de 2001 estudantes baianos exigiam um basta no conservadorismo político


Por Filipe Lucio Costa


_Era um dia como qualquer outro, não fosse a estranha movimentação de estudantes no centro de Salvador. Eles chegavam aos montes e das mais variadas partes da cidade. O objetivo era promover uma manifestação contra uma das personalidades mais emblemáticas e sombrias da política nacional. Bloqueando as ruas e entoando gritos de protesto, exigiam a cassação do senador baiano Antônio Carlos Magalhães, envolvido no escândalo da violação do painel eletrônico do senado.
_Temendo a reação da polícia militar, os estudantes haviam decidido seguir até a residência do senador, destino final da manifestação, através de um acesso localizado dentro da Universidade Federal da Bahia, uma área, de acordo com a lei, fora do controle das polícias estaduais. Às 9 horas da manhã, mais de seis mil estudantes estavam concentrados no Campo Grande, um bairro nobre e movimentado, palco das principais mobilizações populares da cidade. Em seguida os manifestantes iniciaram, como planejado, o trajeto por dentro da UFBA, mas logo foram surpreendidos por centenas de policiais militares que, violando a lei, coisa não muito rara, invadiram uma área federal.
_Sete anos depois o dezesseis de maio de 2001, ainda é lembrado pela demonstração de força e coragem do movimento estudantil e pela brutalidade da polícia que sob o comando do então governador carlista César Borges, protagonizou cenas semelhantes aos embates do período da ditadura militar. Armados com revólveres, cassetetes e gás lacrimogêneo, os policiais reprimiram duramente a manifestação e transformaram o campus da UFBA em uma zona de batalha. Em uma comunidade no Orkut, quem participou do protesto relembra os momentos de tensão vividos naquele dia. (
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1593681). Um vídeo também ajuda a manter vivas na memória as cenas lamentáveis daquele dia: http://www.grifocomunicacao.com.br/imagens/choque.WMV .


Coronelismo - O episódio ilustra uma situação corriqueira no Nordeste, mas impensável e inadmissível em tempos de democracia. Políticos abusam do poder e reprimem qualquer iniciativa de oposição ao seu modo de governar, transformando ações como o protesto do dezesseis de maio, em atos de heroísmo passíveis de graves conseqüências que vão desde ameaças a assassinatos.
_A cena política da região, só agora, passa por profundas mudanças. Sai um sistema político anacrônico e perverso e ganha espaço um espírito democrático. As oligarquias, formadas por famílias que controlam o poder desde o período da ditadura militar e, após a reabertura democrática, conseguiram se manter no comando lançando mão de métodos nem sempre claros, perdem força. O grande representante desse tipo de governo era o político baiano Antônio Carlos Magalhães. ACM, até pouco tempo atrás, controlava grande parte da câmara dos deputados, a maioria das prefeituras da Bahia, inclusive da capital, o governo do estado e as duas vagas da Bahia no senado federal. Um poder que lhe conferia o status de grande líder político.
_ACM despertou paixões e ódios no estado. Assim como possuiu um eleitorado cativo, acumulou uma gama de opositores dispostos a romper, a qualquer custo, com sua hegemonia. Havia motivos para essa divisão. ACM foi um dos apoiadores do golpe militar de 1964 e sua vida política sofreu uma notável e curiosa ascensão durante o período ditatorial. Enquanto apoiava o regime repressor e autoritário, fazia um governo populista, aparentemente, voltado para os pobres, conquistando, assim, a simpatia e admiração desta parcela da população. Sob seu comando, Salvador transformou-se em canteiro de obras e importantes avenidas foram construídas.
_Nas eleições que antecederam sua morte, porém, o império carlista, desgastado e isolado politicamente, sofreu um duro golpe. A seqüência de 16 anos no comando do governo da Bahia foi interrompida pelo seu principal adversário, o candidato do PT, Jaques Wagner. O fim do casamento entre o povo baiano e ACM pegou todos de surpresa, não foi compreendido nem pelo próprio cabeça branca. Após perder a prefeitura de Salvador em 2004, ACM alimentava a esperança de mostrar sua força se mantendo no governo. Não conseguiu.


Realidade x ficção - A forte propaganda utilizada pelo candidato apoiado por ACM não foi suficiente para esconder os pífios indicadores econômicos e sociais. A Bahia apresenta após longos anos sob o comando do carlismo, o maior índice de analfabetos do país, de acordo com pesquisa, recentemente divulgada, feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). As más notícias não param aí: o estado é o quarto em número de pessoas que vivem com menos de 80 reais por mês e o que mais precisa de investimentos, entre todos os estados do país, para solucionar a questão da miséria, aponta um estudo de 2001 da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Diante destes dados, motivos não faltam para explicar o recado das urnas. Francisco de Oliveira, sociólogo e ex-professor da USP, diz que "o carlismo já era". Segundo ele, vários fatores contribuíram para a derrocada do reinado de ACM. "A industrialização, a urbanização e o voto obrigatório fizeram com que o carlismo fosse diminuindo aos poucos. Agora todos votavam, não só os subordinados dele. Houve uma melhoria na captação da voz das pessoas, elas foram ouvidas e tendo mais opções acabaram não vendo somente no carlismo a única forma de governo". Ele rechaça a idéia de que o carlismo tenha capacidade de renovação com o surgimento de novos políticos como o neto do senador, o deputado federal mais votado nas últimas eleições na Bahia, ACM Neto, pré-candidato a prefeito da capital. "Não, e não tem mesmo. ACM Neto tem o poder da altura de sua estatura: um anão. Ele não conseguiria montar a mesmo império do avô e por um motivo simples: o tempo para isso acabou".


Moderno - Considerado por muitos como anacrônico no seu modo de pensar a política, ACM não tardou em descobrir que os meios de comunicação, sobretudo os mais modernos, são aliados importantes na luta pela manutenção do poder. Tratou de arranjar concessões públicas de TVs e rádios, a maioria obtida durante a ditadura militar, quando chegou a ser ministro das comunicações do Brasil.
_ACM é o proprietário da principal emissora de televisão da Bahia: a Tv Bahia, afiliada da Tv Globo no estado, é líder de audiência e tem como presidente o filho do senador, Antônio Carlos Magalhães Junior. Além da TV, o grupo fundado por ACM controla mais de 80 rádios em todo o estado e o segundo jornal de maior circulação, o Correio da Bahia, que durante os governos dos aliados à ACM recebeu pomposas verbas publicitárias.
_À exceção da TV, que hoje, por pressões da Rede Globo, adota uma postura mais próxima dos critérios de imparcialidade jornalística, os veículos de comunicação do grupo serviam apenas, até bem pouco tempo, para publicizar os "feitos" do senador e seus aliados políticos e destacar "deslizes" de seus adversários.
_Em 2001, no emblemático 16 de maio, por exemplo, a TV de ACM entrou em conflito com a Rede Globo por não enviar equipes de reportagens para cobrir a repressão policial contra professores e estudantes da UFBA, que protestavam em favor da cassação do senador ACM. A Rede Globo havia solicitado à sua afiliada reportagens sobre o fato, que tinha obtido grande repercussão em outros veículos. A TV Bahia não enviou nem mesmo imagens, as quais a TV Globo teve de comprar da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Na ocasião, a Rede Globo ameaçou não renovar seu contrato com a Tv Bahia. Desde então, a emissora possui uma relativa autonomia e é poupada de intervenções de viés político.
_Talvez por obra do acaso, maio costuma ser um mês propício não só para casamentos como também para revoluções.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Passepartout

SBahia realiza seu primeiro Festival Internacional de Artes Cênicas
por Paloma Ayres.

Iniciativa inédita no Norte e Nordeste, o 1º Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC) contemplará as cidades de Salvador, Camaçari e Feira de Santana entre os dias 24 e 31 deste mês. Realizado com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado, por meio do Fundo de Cultura da Bahia, o FIAC tem como objetivo proporcionar ao público uma produção das artes cênicas contemporâneas de grande destaque no cenário brasileiro e internacional, bem como o estímulo à reflexão crítica acerca do fazer teatral e de acordo com as diretrizes de democratização e descentralização cultural. Além disso, a Bahia, com esse evento, se insere no circuito das artes cênicas internacionais, uma vez que busca traçar um panorama da diversidade de propostas que marcam a cena contemporânea.

Programação

Disposta na íntegra no site do FIAC, a programação conta com um total de 23 montagens de teatro e dança de sete países, com ingressos a preços populares, que acontecerão em diversos espaços cênicos das cidades-sede, além de workshops, palestras, debates, lançamentos, exposições, mostras de vídeo e shows musicais.

Dentre os destaques, o evento contará com a participação do diretor inglês de teatro Peter Brook, o ator e dramaturgo africano Dieudonné Niangouna, a Cia. dos Atores, de São Paulo, e o grupo catarinense Cena 11. Entre as atrações baianas, estão os espetáculos de dança “Batata!” (Dimenti) e “Desejo Fatiado”(Cia. Núcleo de Investigação Coreográfica João Perene)e os premiados pelo Prêmio Braskem de Teatro “O Sapato do Meu Tio” e “Sonho de uma Noite de Verão”(Bando de Teatro Olodum).

Serviço:
O que: 1º Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia
Onde: Teatro Castro Alves, Teatro Vila Velha, Teatro Martin Gonçalves/Escola de Teatro da UFBA, Teatro Molière/Aliança Francesa e Goethe-Institut/ICBA.
Quando: de 24 a 31/10/2008
Quanto: R$6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia), de 20 a 23 de outubro e R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia) durante o Festival.
Maiores informações: FIAC BAHIA

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Meio e Mensagem

Conheça o Qik!

Por Marcel Ayres

_Num dia qualquer, você, estudante de jornalismo que gasta a sola do sapato atrás de um estágio na cidade, presencia um acidente terrível. Rapidamente, pega o seu celular e filma o ocorrido. O seu primeiro furo!

_Após filmar tudo, você deseja publicar a imagem para que ela obtenha conhecimento público. Alguns colegas utilizariam o bom e velho youtube, mas em tempos de tecnologias móveis e ascensão vertiginosa da web 2.0, a rapidez e praticidade das ferramentas de publicação são fundamentais.

_Para isso, foi criado o Qik. No site você pode fazer um streaming de vídeo do próprio celular para a rede, basta fazer um cadastro no site e confirmá-lo por SMS... voilà! Poderá publicar vídeos ao vivo para todo o mundo!

_O serviço vem sendo utilizado não apenas para veiculção de coisas corriqueiras, mas também vem se tornando uma ferramenta útil para o jornalismo digital.

Link:

http://qik.com/

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Passepartout

Encontrando o Walrus

Por Amanda Luz


_John Lennon está vivo e você, aos 14 anos, tem a oportunidade de fazer uma pergunta ao beatle. O que você perguntaria? Em 1969, Jerry Levitan teve essa oportunidade quando encontrou Lennon num quarto de hotel e fez uma breve entrevista sobre "paz". Unida a uma animação muito bacana, a gravação traz John falando sobre seus problemas ao entrar nos Estados Unidos, sobre os homens serem violentos e sobre os problemas com as guerras no contexto mundial. "Viva para a paz", ele diz.

_O garoto conta que alguns amigos canadenses não gostam dos Beatles porque eles fumavam maconha e eram hippies. Então John Lennon responde que suspeita que esses amigos eram squares ("caretas").

_O vídeo é curto, mas vale a pena. Confira (em inglês):

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Circo Urbano

_David Belle, 34 anos, é um educador físico francês e criador do Le Parkour. Belle nasceu e cresceu no Sena Marítimo, na Normandia. Oriundo de uma fámilia simples do subúrbio, desde cedo treinou com o seu pai técnicas militares de deslocamento que o ajudaram a desenvolver uma forma peculiar de se exercitar e ajudar as outras pessoas. Saiba mais sobre o Le Parkour, em breve, na Lupa 04.

Veja o vídeo abaixo:




Site Oficial - Clique aqui

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Passepartout

Cinema Guerrilha


Por Ive Deonísio

_Dentre as 11 produções brasileiras escolhidas para participar da mostra Short Film Córner, em Cannes, havia um filhote baiano. 10 centavos (19 min, 2007), é a menina dos olhos do diretor César Fernando de Oliveira. A primeira produção em 35 mm do diretor de 28 anos, narra, com poesia, a história de um pequeno guardador de carros no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. O garoto pobre enfrenta agruras para honrar a dívida de R$ 0,10.

_Antes de graduar-se em Cinema e Vídeo pela FTC em 2006, César Fernando de Oliveira cursou 1 ano e meio de Engenharia. Visionário, o futuro diretor já estava apostando no futuro. Ele queria mesmo era aprender a fazer contas para calcular quantas das moedinhas douradas eram necessárias para atingir R$ 100.000,00. Essa foi a quantia disponibilizada pelo Prêmio Braskem para realização do roteiro de curta-metragem “10 centavos”.

_De antemão ele me avisou que depois da indicação para Cannes as ações do seu tempo subiram de preço. Agora é taxa pra absolutamente tudo. Consegui um mega desconto, “só para amiga”, dez centavos a pergunta. Paguei com a minha moeda de R$0,50 (da fininha, modelo antigo), ainda tinha um plus: 1/6 de impostos. Ele também não quis parcelar, o esquema é : “não aceito fiado, favor não insistir”. Pois é companheiros, fiquei com 4 perguntinhas.

Trailer de 10 centavos:



Blog da Lupa: A fotografia do filme recebeu grandes elogios, os planos soaram milimetricamente pensados. A opção pela câmera subjetiva revelou uma leitura minimalista de fatos que acontecem cotidianamente. Dessa forma, o filme sugere sensações ao espectador. Quais sentimentos você pretendia despertar?

César Oliveira: A principal idéia era que a obra tivesse um olhar crítico, mas que não fosse panfletário. O tom humano, a sutileza e a poesia deveriam permeiar todo o filme. Uma das razões é que a câmera quase sempre está na altura dos atores, além da opção de mostrar o reflexo e não a imagem direta da baía de Todos os Santos. Foi evitado também imagens "pasteurizadas" da cidade, fomos em busca de elementos que estão no nosso dia a dia e quase não são vistos, como a roldana ou os cabos do plano inclinado. A primeira metáfora vem desde o roteiro literário: o filme começa no Carmo, próximo ao Pelourinho e termina no subúrbio ferroviário. Realmente a maioria dos nossos problemas sociais começaram desde a época da colonização.

B L – A equipe mantinha cerca de 30 pessoas entre atores e técnicos. Todos os veteranos eram atores, apesar de haver estreantes no elenco. A parte técnica, por sua vez, era composta por jovens, muitos trabalharam pela primeira vez numa produção em 35 mm. Por que a opção por tantas pessoas relativamente novas no universo do cinema trabalhando no set de 10 Centavos?

C O - A idéia de trabalhar com pessoas que ainda não haviam composto o set de um filme em 35mm era justamente inserir-las no mercado. São pessoas novas no ramo, mas isso não quer dizer que não são talentosas. Às vezes fica difícil começar sem uma primeira experiência, mesmo possuindo talento. 10 Centavos foi uma experiência maravilhosa nesse sentido para todos nós.

B L- O roteiro do curta foi baseado num sonho, o filme tem uma atmosfera onírica belíssima, a arte e técnica também foram elogiadas pela crítica especializada. O resultado do bom trabalho já foi comprovado: 10 Centavos participou de inúmeros festivais. Entre eles os internacionais: Bilbao - Espanha, Algarve - Portugal, além de ter sido um dos representantes brasileiros no Short Film Corner do Festival de Cannes na França. 10 centavos ainda pode realizar algum sonho seu?

C O:10 Centavos realizou um de meus grandes sonhos, que era dirigir um filme de ficção, finalizado em 35mm, com toda uma equipe e seus departamentos específicos, como direção de arte, direção de fotografia, o pessoal da produção, o técnico de som... Antes dele, somente havia realizado vídeos sem uma equipe especializada. O filme está indo agora para o festival Internacional de Shangai, na China, e o Festival de Filmes para a Juventude, na Coréia. Ou seja, além do ocidente ele também está sendo reconhecido no oriente. Está, literalmente, cruzando o mundo, acredito que todas essas conquistas são méritos de toda a equipe envolvida na produção do curta. Dessa forma ele está realizando os sonhos de muita gente.

B L: Como nada escapa à pesquisa do Blog da Lupa, descobrimos que além de ser diretor, você já andou atuando na indústria cinematográfica. Quais são os seus projetos futuros? Pretende dar seqüência à carreira de ator?

C O: Com certeza me sinto mais seguro atrás das câmeras, acho que sou meio canastrão como ator (risos). Tenho outro curta-metragem em mente, mas ainda em fase de projeto.


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Passepartout

Uma conversa com Jorge Mello


Maria Clara Lima

_O diretor de cinema e fotografia, Jorge Mello, 55, trabalha com cinema há mais de 20 anos. Hoje, produz filmes e atua no “quase-pólo” [expressão de Mello] de cinema da Bahia. Mello é dono de equipamentos cinematográficos utilizados para a produção de filmes. De acordo com ele, material de primeira linha o qual aluga quando requisitado.

_Segundo conta, “eles são suficientes para montar até seis pólos de cinema”. No entanto, o material ficou, por muito tempo, guardado em um depósito. Chegaram a ser feitas algumas importantes produções com os equipamentos – inclusive estrangeiras –, mas a demora em se associar a uma espécie de pólo ou projeto quase lhe fez desistir.

_Foram mais de três anos de espera. Por que tanto tempo? Pelo custo. “Também não posso dar de graça”, diz. O material foi comprado em 2003 e 2004 e custou caro. O dinheiro para tal façanha, ele conseguiu juntar ao longo de sua vida. Mello inventou, por exemplo, o detector de metais formato raquete e ganhou uma cifra considerável com ele.

O quase-pólo

_O “quase-pólo” funciona no Forte do Barbalho, onde já estão, conforme conta, os equipamentos, o figurino, a cenografia e a Bahia Film Commission (BFC) – um programa do governo do estado de apoio às produções audiovisuais. O que falta? Patrocínio e investimento – principalmente o privado e de empresas locais. Só assim o pólo poderá realmente funcionar.

_ Segundo ele, o pólo é uma associação de todos que atuam no cinema. “É uma parceria com a BFC, Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV-BAHIA), cineastas, produtores, governo e outras classes que apóiam a iniciativa”. Cada parte é independente, diz. “Os equipamentos são meus, a cenografia é de outro, o figurino de outro”. O espaço, continua Mello, foi cedido pelo governo, mas as reformas necessárias ao Forte cabem aos que ali se alojam.

_ Apesar dos percalços, para ele, tudo indica que 2008 terá muitos filmes baianos. “A minha intenção é que a Bahia consiga fazer mais de 100 filmes por ano: quanto mais fizer, melhor”.



sexta-feira, 30 de maio de 2008

Cinema e reflexão histórica


Por Anaísa Freitas e Monique Passos

Esse ano marca, não apenas quarenta anos de um dos períodos mais efervescentes da História contemporânea, como também, quatro décadas do período mais violento da ditadura militar no Brasil. Relembrando a data repleta de simbolismos, os alunos do sétimo semestre do curso de Cinema e Vídeo da Faculdade de Tecnologia e Ciências filmaram, no final de abril passado, o filme 13 de Dezembro. O curta-metragem de 10 minutos, filmado no formato 16mm, retrata, no dia da edição do AI-5 (13 de dezembro de 1968), o cotidiano de diferentes personagens de mundos muitas vezes contrastantes, envolvidos pelo mesmo golpe, mas não atingidos por ele. Propondo ao expectador uma reflexão a respeito da importância da memória coletiva e do passado histórico.
O curta utiliza, como uma de suas locações, o Forte do Barbalho, não apenas por resoluções estéticas, mas por precisão histórica. Descrito muitas vezes como uma representação viva da grandiosidade das construções militares do período colonial na Bahia, o forte, primeiramente batizado como Forte de Nossa Senhora do Monte Carmelo, começou a ser construído em 1630, pelo militar Luíz Barbalho Bezerra, e concluído em 1736. Ao longo de sua existência, a fortaleza desempenhou importantes papéis na História baiana. Foi utilizado como praça de guerra e hospital para coléricos, morféticos e vítimas de varíola entre os anos de 1855 e 1892. Abrigou, ainda, prisioneiros importantes como o professor Estanislau da Silva Lisboa, participante do Movimento dos Malês, em 1835, e durante a ditadura militar, nomes importantes da vida política e cultural da Bahia ,dentre eles os professores Emiliano José, Otton Jambeiro e Arno Brichta. A partir de 18 de maio de 1982, foi entregue á Polícia Militar passando a ser ocupado pelo 7º Batalhão. Tombado pelo IPHAM em janeiro de 1957, o Forte do Barbalho é administrado pelo Governo Estadual desde agosto do ano passado.
O diretor de 13 de dezembro, Daniel Fróes, foi um dos produtores do filme O Flautista, que recebeu menção honrosa no Festival da Lapa. Segundo a produtora do curta – realizado com a contribuição da Bahia Film Comission – Aline Dakowski, 13 de dezembro, além de uma produção audiovisual, é uma reflexão prática e interdisciplinar do trabalho acadêmico, que interage com a sociedade, relembrando e criticando um período histórico tão importante, e mostra o trabalho da novíssima geração de cineastas baianos. O filme deve ser exibido no circuito de festivais e prêmios de cinema universitário ainda este ano.


sábado, 5 de julho de 2008

Prova dos Nove

A folha que sobrou do caderno

por Marcel Ayres


"Todos os anos uma leva de designers se forma nos quatro cantos do Brasil e uma pergunta inquietante não quer calar: estarão esses futuros profissionais sendo preparados para enfrentar as múltiplas realidades do nosso país? Existiria uma estrutura de curso ideal para formar os profissionais de design adequados à nossa realidade? A quem interessa manter um formato de ensino ultrapassado e ineficiente? Você já parou para pensar em seu papel diante disso tudo?"


_"A folha que sobrou do caderno" é um instigante documentário que procura discutir de maneira crítica o destino e a reforma do ensino de design no Brasil. São colocadas opiniões sobre modelos ideais de cursos e o papel que professores e estudantes desempenhariam nesses modelos, bem como discussão sobre formação tecnológica e teórica. A estrutura atual do ensino, questionamentos sobre pesquisa e atualização tanto por parte dos professores como dos estudantes também são abordados. A organização estudantil como transformadora da realidade e o Movimento Estudantil fornecem o fechamento das discussões. Confira o vídeo abaixo!

A folha que sobrou do caderno


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Prova dos Nove

4º Encontro de Design da UNEB
por Tarcízio Silva

_ Começou hoje, 24 de setembro, o 4º Encontro de Design da UNEB. O evento, o maior da área no estado, reuniu centenas de estudantes, pesquisadores e profissionais do design no anfiteatro da Universidade Estadual da Bahia, no bairro do Cabula.

_ O tema "Acerca do Design" que perpassa toda a programação foi enunciado na abertura, que também exibiu um vídeo comemorativo dos 25 anos da universidade. Para entender o papel do design no mundo, a programação contempla pesquisadores de diversas áreas para correlacionar o design com as ciências humanas.

Congressistas aguardam o início do evento

_ Com duas habilitações - Programação Visual e Projeto do Produto -, o curso de design da UNEB faz parte do departamento de Ciências Exatas e da Terra, ao contrário do habitual: Artes e/ou Comunicação. Por isso o estranhamento com o filósofo Luciano Costa Santos, o primeiro palestrante.

Luciano Costa Santos

_ A partir da leitura de uma apresentação de ninguém menos que Wittgenstein, Sampaio discutiu a importância da técnica para o ser humano e para o design, é claro. Em seguida, continuou na mesa-redonda "A dimensão antropológica do design", que também teve a participação de Luciano Santos e Daniel Soto.

_ O evento também conta com várias oficinas, como produção de estampa com técnica stêncil, cestaria em jornal, pinhole, brinquedos artesanais, edição de imagens, malabares e outros. A partir de amanhã um painel com mostras artísticas de design, fotografia e ilustração será mais uma das atrações.

Os oficineiros Isabelle e Marcus ensinam a técnica stêncil

_ Nos próximos dois dias de evento ainda serão abordadas a psicanálise, sustentabilidade, epistemologia, arte e mais filosofia. Todas as atividadades são pela manhã e as inscrições ainda podem ser feitas, desde que hajam vagas. Sem custo de inscrição, os organizadores pedem apenas um quilo de leite em pó para doação a uma entidade beneficente.

Paulo Vítor, estudante da UNEB, ilustra enquanto ouve a palestra

_ Acesse o site do evento

domingo, 21 de setembro de 2008

Circo Urbano

Conscientizando
por Paula Amor

_Estar alerta para os problemas do mundo. Esta tem se tornando uma condição cada vez mais essencial conforme as gerações mudam. Sejam esses problemas ambientais, ou sociais; ONGS, empresas privadas, governos, entre outros, se esforçam para chamar a nossa atenção.

_Aderindo a esta onda de conscientização, O GREENPEACE, em parceria com o Salvador Shopping, realizou entre os dias 1 e 20 de setembro, uma campanha de conscientização da população do respeito aos oceanos – “Entre nessa onda”. O Túnel Sensorial, instalado na praça central do shopping trabalhou os quatro sentidos – audição, visão, olfato e tato – com o objetivo de fazer com que o visitante sentisse de forma lúdica e temporária a agressão que o planeta sofre ao percorrer cenários que ilustram os desafios e soluções para a conservação dos oceanos. Ao final do percurso, o público assistia dentro do cine/iglu ao trailer do vídeo “O mar é nosso?”, que trata da relação entre os homens e os mares.


_A idéia deste evento foi bastante interessante. A enorme tenda azul, simulando um iglu, atraiu todos os olhares curiosos. Quem passava com certeza se perguntava “o que é isso?”. Crianças e adultos – pessoas de todas as idades podiam ser vistas na fila. A campanha parece ter sido um sucesso, mas o importante é saber se todos que visitaram o túnel realmente levarão o que aprenderam para casa.

_Ainda nesta onda de tentar concertar no presente nossos erros do passado, indico para aqueles que querem fazer algo para melhorar o nosso meio ambiente, mas não sabem como, que plantem uma árvore! Como? Muito simples. Os avanços tecnológicos estão ai para ajudar. Podemos plantar uma árvore sem precisar sair de casa – apenas acessando a internet!
_São inúmeros os sites que nos dão esta possibilidade hoje. Alguns deles:

* Clickarvore - para plantar árvores nas áreas da Mata Atlântica -
* Plant.net - para plantar na Mantiqueira
* Ecoogler - um buscador que a cada 10.000 buscas feitas através dele, doa o dinheiro necessário para plantar uma árvore na Amazônia

_Agora, cada vez menos temos desculpas para não ajudar o nosso planeta.