segunda-feira, 23 de junho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
Cubo Mágico

Um cheiro diferente no ar
Por Sumaia Árabe
_Carla! A mãe gritava. A menina estava atônita, parada na escada. Por um único momento parecia que tinha saído do seu próprio corpo, mas já estava ali novamente. Na segunda piscada de olhos, seus parentes estavam todos ali, para sua infelicidade. Alguns rindo, como seus primos, outros deslumbrados com o desabrochar da nova rosa da família, ou seria o murchar. Na segunda feira, o dia do colégio parecia nada tinha melhorado. Piorou quando viu ele, como sempre só a cumprimentava no início da manhã e depois não falava mais nada nem a olhava. Em poucos dias o rio dentro dela tinha secado, mas coisas estranhas passaram a acontecer.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Passepartout
Por Ana Camila
_Dentro da programação do Fronteiras do Pensamento, série de conferências com intelectuais de todo o mundo que acontece simultaneamente
_Ayaan, como se pode perceber, é polêmica. E em sua auto-biografia, Infiel, lançada em 2007, ela conta toda a história de sua vida, desde os cinco anos de idade até depois de ter praticamente sido obrigada a deixar a Holanda e se mudar pros Estados Unidos. A história de Ayaan é precisamente a história do que os ocidentais imaginam que seja a vida de toda e qualquer mulher da religião muçulmana – e Ayaan trabalha em cima disso. Sua trajetória não foi nada feliz, tampouco agradável, e ela nos conta isso com todos os detalhes, os detalhes que “todos querem ignorar”, como coloca a própria em determinado momento do seu relato.
_Em 500 páginas, o que se observa de Infiel é mais uma tentativa violenta de afronta à religião muçulmana que um relato honesto e ponderado. Para Ayaan, o islamismo é o mal de toda a humanidade, nenhuma mulher é feliz nem de longe e os homens são todos uns brutos e exploradores das mulheres (nos mais diversos sentidos). Com base nas suas experiências pessoais e na sua tentativa de resistir a um meio no qual nunca se sentiu em casa, Ayaan se dedica a demonizar a religião islâmica, e o faz com competência.
_Mas é difícil não observar o, muitas vezes, ingênuo posicionamento de Ayaan, principalmente considerando o seu óbvio deslumbramento ao chegar à Holanda, o “mundo ocidental e civilizado, onde as pessoas te respeitam pelo que você é”, como afirma a autora. O conflito “oriente x ocidente” a partir de Ayaan toma uma forma bastante infantil e maniqueísta, e em um dado momento fica complicado tomar partido de Ayaan, principalmente no capítulo em que ela relata como é maravilhoso viver num país ocidental, como tudo é lindo, como as pessoas são gentis, e até mesmo como o Deus deles é melhor!
_O problema de Infiel não é a sua tentativa de denunciar um fato que não precisa de denúncia no ocidente (público para o qual o livro está destinado), é a circunstância na qual a autora se encontra – livre das amarras religiosas, ela se sente livre como um pássaro, e apesar de clamar para si um senso crítico em relação à cultura muçulmana, não parece ter nenhum no que diz respeito à cultura ocidental (e não necessariamente cristã). Apesar de comovente, há uma grande dificuldade em comprar o relato de Ayaan como realidade, mas apenas como uma versão dela – e uma versão por demais temperada. Infiel é como aqueles filmes de terror que não somente insinuam a violência, mas a mostram
_Ayaan Hirsi Ali hoje vive sendo ameaçada de morte por “fanáticos religiosos”, que não aceitam o seu posicionamento crítico e por vezes ofensivo em relação à religião islâmica. A autora se dedica a dar entrevistas e conferências pelo mundo, para alertá-lo sobre a vida à qual as mulheres muçulmanas são sujeitadas em seus países de origem. Segundo Ayaan, o ocidente tem que interferir nos países muçulmanos, impedir que as mulheres sejam tratadas como animais. Países como a Holanda têm que acabar com essa história de abrir colégios muçulmanos para os filhos das mulheres refugiadas, porque há de haver essa mescla, esse intercâmbio cultural entre crianças cristãs e muçulmanas. Para Ayaan, que hoje em dia se proclama atéia, a única razão de assumir essa vida agora arriscada é alertar o mundo da situação da mulher muçulmana.
_Principalmente após a morte do cineasta Theo Van Gogh, assassinado por homens muçulmanos em razão do filme “Submission”, dirigido por Theo e roteirizado por Ayaan, a autora tem ido a todas as redes de televisão de diversos países, pegar o gancho da tragédia para falar sobre a questão da mulher. “Submission” é uma provocação de Ayaan, um curta de dez minutos no qual se vê uma mulher muçulmana falando de sua vida, como é tratada por seu pai e outros membros da família, mas em um texto irônico e imagens sensuais do corpo dessa mulher. O vídeo seria o primeiro de três, mas com o assassinato de Theo o projeto teve fim.
Assista ao vídeo “Submission”:
_Vivendo cheia de guarda-costas por onde quer que vá, Ayaan continua sua luta em favor dos direitos das mulheres da sua ex-religião. Onde quer que vá recebe aplausos (dos ocidentais, claro), mas, em meio a tanta polêmica em suas declarações, vez ou outra alguém decide colocá-la contra a parede e contestar suas afirmações acerca da situação da mulher islâmica, dos países muçulmanos e do seu lugar de fala, sendo uma “ex-muçulmana” e atéia. Como no vídeo que segue abaixo:
http://youtube.com/watch?v=vg8AYs56RAY
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Blog da Lupa vence no Expocom Nordeste 2008.

O evento ocorreu durante a etapa regional do Intercom, entre os dias 12 e 14 de Junho, este ano, na cidade de São Luís do Maranhão. Vencedor na categoria Áreas Emergentes - modalidade Processo Digital - o Blog da Lupa concorreu com o site Salada Eletrônica, desenvolvido por estudantes da Universidade do Rio Grande do Norte - UFRN.
Parabéns equipe da revista Lupa pela conquista!
sábado, 14 de junho de 2008
Passepartout
Por Antonio Pita
_Ranzinza, mal humorada, crítica ... e muito fofa! Assim, a personagem Rabuga, uma menina gordinha, branquela e de cabelos vermelhos, tem conquistado muitos fãs com suas crises existenciais publicadas todas as terças-feiras no Caderno Dez! do Jornal A Tarde.
_Criação da estudante de psicologia da Ufba, Caroline Feitosa, a carismática resmungona nos lembra aqueles dias em que acordamos com o pé esquerdo, e todo o universo parece conspirar contra nós – o ônibus atrasa, o carro quebra, uma chuva cai repentinamente, o computador trava e todos os documentos se perdem, enfim.
_Tudo é motivo para a ruivinha resmungar, como se ela não estivesse adaptada par ao mundo. Ou será o mundo que não está adaptado a ela? “As idéias vêm de coisas bobas, como ficar dez minutos a mais no ponto de ônibus, e enquanto isso penso sobre como se perde tempo esperando… e daí penso em como eu também espero por mim, por certas mudanças… e pronto! Porque não fazer uma tira sobre esperar por si mesmo?”, explica a autora.

_Rabuga surgiu há pouco mais de um ano. No começo, ficou um pouco esquecida entre as questões existências de Caroline – achava que seus rabiscos não passavam de ‘bonequinhos de palito obesos’. “Mas eu percebi que uma boa tira não precisa ter o desenho perfeito. O importante é a idéia e a forma como ela se coloca no papel. A partir daí, comecei a desenhar, mesmo de um jeito torto e simples”.
_Os traços simples da artista já a levaram a realizar exposições e apresentações de trabalhos em diversas ocasiões, com Rabuga e outras obras e personagens que Caroline desenvolve. “Já tentei criar outros, como o moço cuja cabeça possui uma fissura que deixa certos conteúdos escaparem. Apresentei alguns trabalhos dele no Salão de Humor de Piracicaba, no ano passado”.
_Mas são as reclamações da ruivinha que fazem mais sucesso. Além do Caderno Dez!, que publica as tirinhas desde agosto de 2007, o portal Diálogos Universitários e o fotolog da personagem também trazem novas indagações de Rabuga.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Meio e Mensagem
Por Amanda Luz
_Apesar do jornalismo ser uma atividade relativamente recente, já virou artigo de museu. Os fósseis e antigüidades comuns ao universo da museologia deram lugar à alta tecnologia no museu americano dedicado às notícias e ao jornalismo.
_Inaugurado em abril deste ano, em Washington D.C., o Newseum oferece uma experiência hi-tech e interativa aos visitantes em galerias que apresentam a história das notícias; a evolução da prática jornalística nos meios Internet, TV e rádio; primeira-páginas atualizadas de jornais ao redor do mundo; fotografias ganhadoras do Prêmio Pulitzer; notícias de fatos históricos como o 11 de setembro, queda do Muro de Berlim etc; dentre outras exibições. O visitante pode até filmar uma notícia, como um telejornalista.

_Para a construção de um prédio imponente e moderno, foram necessárias polpudas doações, oferecidas por empresas como New York Times, Time-Warner, NBC News, ABC News etc. Tudo devidamente registrado no website da instituição.
_Ao contrário dos museus vizinhos do Smithsonian Institute, que são gratuitos (e de qualidade, o que é importante), quem quiser visitar o Newseum tem que desembolsar entre $ 13 e $20.
Em memória aos colegas jornalistas
_Como americano adora um memorial, os jornalistas que morreram no exercício da profissão foram homenageados no Memorial dos Jornalistas, com seus nomes gravados num espaço especial. É possível, no site, visualizar os homenageados por nacionalidade. No link reservado ao Brasil, quatro páginas incluem nomes como Vladimir Herzog e Tim Lopes, dentre outros.
Passepartout
Por Ive Deonísio
_As influências consolidadas e a afinação interna refletem, diretamente, na proposta do conjunto, segundo os próprios, “é dar um toque ijexá, samba e rock com batida funk aos hits”. As músicas são trabalhadas para ganharem a cara do grupo. A pegada dançante de Jorge Ben e a inconfundível marcação funk de Tim Maia são facilmente diagnosticados no groove que deixa o público frenético nas apresentações.
_ Luciano, vocal do grupo, também integrante da banda de reggae Mosiah, diz que a clássica influência de Jorge Ben surgiu com a compra do vinil “A Tábua de Esmeraldas”, álbum de 1972, que custou inexpressivos 5 reais num sebo próximo ao Convento da Lapa, onde localizava-se a sua faculdade na época.
_Para conferir o som da banda legitimamente baianinha ouça: “Símbolo de Fé” na página dos caras.
_Veja (e ouça!) Dois Mundos:
terça-feira, 10 de junho de 2008
Cubo Mágico
Por Sumaia Árabe

Tinha passado uma semana desde o susto que levara. Sabia que a partir de agora tudo iria mudar, assim falou. Mas ainda não entendia exatamente o que tinha acontecido, tudo ao seu redor parecia estar normal. Ela lembrava que a primeira coisa que tinha feito era verificar se tudo estava no lugar e aparentemente estavam.
Alguma coisa tinha mudado. Sabia pelo cheiro fétido de sangue ainda estava em suas mãos. Podia lavar uma, duas, três vezes ou até surrar a própria mão, o cheiro não saia. Estava todo lugar, mesmo depois de ter lavado os lençóis, mesmo não mancha nenhuma. O cheiro fétido continuava. O pior era saber que aquele sangue tinha saído do seu corpo. Tudo parecia estar igual, mas como conviver com aquele cheiro o resto da vida? Não sabia e sentia ânsia ao pensar. A mãe gritou da escada: “Desça! Todo mundo já está aqui.” Era o rotineiro almoço dos dias de domingo. Desceu as escadas. A família estava toda lá. Quando a mãe a viu, logo gritou: “Aí está ela, a mais nova mocinha da casa!”
Não sabia o que era mais forte o ódio ou a vergonha que sentira. Por um momento fechou os olhos, quando abriu a sala estava cheia de sangue. Não seu sangue fétido, era sangue dos outros
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Passepartout

por Ana Camila
Video-homenagem a Phil Ochs no Youtube, ao som de When I'm Gone
sábado, 7 de junho de 2008
Circo Urbano
Por Ive Deonísio
_Acontece que o difícil acesso à Ilha de Tinharé, onde se localiza o vila de Moreré, não impediu a invasão da modernidade ao local. Os mochileiros, neo- hippies e velejadores desavisados podem se assustar com a novidade, mas o tiopês, linguagem típica do universo internético, é fluente no povoado. Lá, moradores falam e até escrevem no dialeto que agora é a modinha do orkut, msn, fóruns e lista de discussão.
_Confira os registros desta repórter que vos fala:


sexta-feira, 6 de junho de 2008
Passepartout

por Ana Camila
_O que leva um garoto de 23 anos a largar uma vida confortável e ir viver no meio da natureza, em terras inabitadas e selvagens? E que fascínio é esse que o mesmo garoto causa em cada um que ouve a história da sua trágica aventura, que culminou na sua morte? Inquietações desse tipo levaram o jornalista Jon Kracauer e o cineasta Sean Penn a documentar, de forma apaixonada, a trajetória de Chris McCandles, o jovem que abandonou a própria vida em busca de si mesmo. Na natureza selvagem.
Confira abaixo o trailer de "Na Natureza Selvagem", de Sean Penn (Estados Unidos, 2007)
Circo Urbano

_No geral, os freqüentadores das clínicas de estética são empresários com mais de 35 anos, casados e com filhos, que incluem na rotina o hábito de consumo dos artigos de vestuário e de higiene pessoal, que realçam a beleza. Esse cuidado com o corpo é motivo de satisfação para as esposas, uma vez que, as mulheres admiram e incentivam o cuidado masculino, especialmente para o próximo dia 12 de Junho.
_Dados estatísticos revelam a tendência do homem em tornar-se mais delicado com o visual. A pesquisa do Ibope Mídia, divulgada em setembro de 2007, revela que os homens gastam 15% mais com produtos pessoais do que as mulheres. É a era dos neo-narcisistas, tão encantados com as chances de se verem no espelho cada dia mais jovens e belos.
· Massagem Relaxante - Com manobras suaves, ela auxilia no combate ao stress.
· Peeling - Descamações da pele em níveis: superficial, médio e profundo. O objetivo é induzir o corpo a produzir uma nova camada de pele.
· Reflexologia podal – Massagens nos pés, visando pressionar os pontos de ligação com demais órgãos
· Shiatsu - técnica de massagem japonesa em cima dos canais de energia do corpo (meridianos), assim equilibrando o fluxo da energia vital ("Ki"). é recomendada contra problemas de coluna e deficiência funcional de órgãos.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Prova dos Nove
“Se eu posso adicionar bondade ao Youtube, então isso me deixa feliz”
Por Amanda Luz
_Ensinar é uma arte. Manter dezenas de crianças atentas à aula não é tarefa das mais fáceis. Longe de trazer manobras de programa de auditório para a sala de aula, Tony Dusko, 37 anos, resolveu usar seu talento artístico de uma outra forma para cativar a atenção dos seus alunos.
_O resultado do seu trabalho é o Notebook Babies, uma série de animações curtas, que tem feito sucesso entre todas as faixas etárias no Youtube. O professor americano ensina crianças a tomar conta dos animais e a fazer tarefa, por exemplo, de um jeito que só quem é criança -- ou entende muito bem delas -- consegue. A temática é universal, a linguagem é cativante, a animação é simples e bem-feita. A soma disso tudo fez com que os vídeos se tornassem uns dos mais vistos na Internet ao redor do mundo.
_Diretamente da Pensilvânia para a Lupa. Em entrevista por e-mail, o professor-artista conta porque largou a carreira na Microbiologia para dar aulas e como surgiu a idéia de criar os personagens bobinhos, mas que no fim fazem tudo certo, de Notebook Babies.
Blog da Lupa: Notebook Babies são personagens engraçados que ajudam as crianças a aprender valores, mas como crianças. Como foi que surgiu a idéia de trazer a animação pra sala de aula?
Tony Dusko: Se você assistir meu vídeo “Mr. Dusko” (No vídeo, ele conta que a idéia surgiu após as crianças fazerem certa confusão na fila do lanche. Desse episódio nasceu o primeiro personagem: um “sanduíche-de-queijo-quente”), você vê como eu comecei a usar a animação. Basicamente eu descobri que ela é uma ótima forma de animar qualquer aula e faz com que as crianças prestem atenção no que você irá ensinar. Eu amo mostrar os vídeos antes da aula, pra deixar eles mais interessados.
BL: Como suas animações tornaram as aulas mais interessantes?
TD: Meus alunos querem sempre que eu continue fazendo novos vídeos, então eu uso isso como recompensa após um bom trabalho deles.
BL: O que você considera como mais importante na sua vida de professor que antes você não tinha na vida de biólogo microbiologista?
TD: Cada dia é diferente, eu amo isso na rotina do professor. Nunca é entediante!
BL: Seus vídeos são sucesso hoje na Internet. Você esperava receber uma resposta tão positiva de tantos lugares ao redor do mundo?
TD: Não, não mesmo. Eu só pensei que algumas pessoas iriam ver e gostar deles, mas é muito legal poder compartilhar isso com tantas pessoas e ouvir comentários tão bacanas sobre meu trabalho.
BL: Você tem filhos?
TD: Não ainda.
BL: Seu trabalho, antes de tudo, ao tratar de temas infantis, usa uma linguagem universal que ultrapassa diferenças culturais. O que você recomendaria aos educadores, professores e pais, no Brasil?
TD: Eu acho que há muito conteúdo na TV e Internet que não é bom para crianças. Mas há também bom conteúdo feito por pessoas boas. Seja apenas cuidadoso para monitorar suas crianças quando eles estão no computador ou assistindo à TV. Tente aproximar elas do que é bom e afastar do que é ruim. Se eu posso adicionar um pouco de bondade ao Youtube, então isso me deixa feliz.
_Confira o vídeo “O que é um amigo?” (abaixo), campeão do Mobifest Toronto Film Festival, no Canadá, em 2007.
_Veja mais:
- Notebook Babies no Youtube
- Página pessoal de Tony Dusko
- Página do Notebook Babies
Impressões
Foto: Mariana Reis

Amar um passarinho é coisa louca.
Gira livre na longa azul gaiola
que o peito me constringe, enquanto a pouca
liberdade de amar logo se evola.
(...)
Por mais que amor transite ou que se negue,
é canto (não é ave) sua essência.
CARLOS DRUMMOND de ANDRADE
Passepartout
Por Ive Deonísio
_Dentre as 11 produções brasileiras escolhidas para participar da mostra Short Film Córner, em Cannes, havia um filhote baiano. 10 centavos (19 min, 2007), é a menina dos olhos do diretor César Fernando de Oliveira. A primeira produção em 35 mm do diretor de 28 anos, narra, com poesia, a história de um pequeno guardador de carros no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. O garoto pobre enfrenta agruras para honrar a dívida de R$ 0,10.
_Antes de graduar-se em Cinema e Vídeo pela FTC em 2006, César Fernando de Oliveira cursou 1 ano e meio de Engenharia. Visionário, o futuro diretor já estava apostando no futuro. Ele queria mesmo era aprender a fazer contas para calcular quantas das moedinhas douradas eram necessárias para atingir R$ 100.000,00. Essa foi a quantia disponibilizada pelo Prêmio Braskem para realização do roteiro de curta-metragem “10 centavos”.
_De antemão ele me avisou que depois da indicação para Cannes as ações do seu tempo subiram de preço. Agora é taxa pra absolutamente tudo. Consegui um mega desconto, “só para amiga”, dez centavos a pergunta. Paguei com a minha moeda de R$0,50 (da fininha, modelo antigo), ainda tinha um plus: 1/6 de impostos. Ele também não quis parcelar, o esquema é : “não aceito fiado, favor não insistir”. Pois é companheiros, fiquei com 4 perguntinhas.
Trailer de 10 centavos:
B L – A equipe mantinha cerca de 30 pessoas entre atores e técnicos. Todos os veteranos eram atores, apesar de haver estreantes no elenco. A parte técnica, por sua vez, era composta por jovens, muitos trabalharam pela primeira vez numa produção em 35 mm. Por que a opção por tantas pessoas relativamente novas no universo do cinema trabalhando no set de 10 Centavos?
C O - A idéia de trabalhar com pessoas que ainda não haviam composto o set de um filme em 35mm era justamente inserir-las no mercado. São pessoas novas no ramo, mas isso não quer dizer que não são talentosas. Às vezes fica difícil começar sem uma primeira experiência, mesmo possuindo talento. 10 Centavos foi uma experiência maravilhosa nesse sentido para todos nós.
B L- O roteiro do curta foi baseado num sonho, o filme tem uma atmosfera onírica belíssima, a arte e técnica também foram elogiadas pela crítica especializada. O resultado do bom trabalho já foi comprovado: 10 Centavos participou de inúmeros festivais. Entre eles os internacionais: Bilbao - Espanha, Algarve - Portugal, além de ter sido um dos representantes brasileiros no Short Film Corner do Festival de Cannes na França. 10 centavos ainda pode realizar algum sonho seu?
C O:10 Centavos realizou um de meus grandes sonhos, que era dirigir um filme de ficção, finalizado em 35mm, com toda uma equipe e seus departamentos específicos, como direção de arte, direção de fotografia, o pessoal da produção, o técnico de som... Antes dele, somente havia realizado vídeos sem uma equipe especializada. O filme está indo agora para o festival Internacional de Shangai, na China, e o Festival de Filmes para a Juventude, na Coréia. Ou seja, além do ocidente ele também está sendo reconhecido no oriente. Está, literalmente, cruzando o mundo, acredito que todas essas conquistas são méritos de toda a equipe envolvida na produção do curta. Dessa forma ele está realizando os sonhos de muita gente.
B L: Como nada escapa à pesquisa do Blog da Lupa, descobrimos que além de ser diretor, você já andou atuando na indústria cinematográfica. Quais são os seus projetos futuros? Pretende dar seqüência à carreira de ator?
C O: Com certeza me sinto mais seguro atrás das câmeras, acho que sou meio canastrão como ator (risos). Tenho outro curta-metragem em mente, mas ainda em fase de projeto.