Saudações faconianas,
equipe do JF.
_O músico foi uma das atrações de ontem, dia 04/12, da oitava edição do Mercado Cultural, que começou no dia 03 e vai até o dia 07 de dezembro desse ano. A noite teve a abertura do quarteto venezuelano C4, às 20h30 e o show de Chico começou às 21h, acompanhado de sua banda, composta por Tiago Costa no piano, Marcelo Mariano no baixo, Edu Ribeiro na bateria e das cantoras Luciana Alves e Tatiana Parra.
Chico Pinheiro autografando um CD. Foto: Lusiane Palma.
Chico Pinheiro elogia a capa da Lupa. Foto: Lusiane Palma.






_ Com uma equipe formada apenas por mulheres, o site possui inovações como uma seção para downloads de filmes, seriados e mp3, e uma seção chamada “Litararium” onde são publicadas poesias e contos eróticos. O portal “Parada Lésbica” também traz um “Orkut lésbico”, chamado “Leskut”, onde são postadas fotos, músicas e podem ser criados grupos e comunidades. “O Parada Lésbica quer agradar gregas e troianas”, destaca Del.
Clique e acesse o site "Parada Lésbica"


_E o incensado novo Correio da Bahia foi lançado. Na Faculdade de Comunicação da UFBa, os comentários dos proto-jornalistas eram variações sobre “virou revista”. A qualidade gráfica, que não é nada tão excepcional em termos absolutos, incomum no jornalismo do estado foi o motivo do espanto. Mas nem toda revista é especializada e nem todo jornal é 80% texto e 20% foto p&b borrada, apesar do que faz(ia?) crer o jornalismo impresso baiano.
_Jornalismo cultural nulo (faço minhas as palavras de Ana Camila) na publicação, mas informação mais direta. A agenda de cinema apresenta as salas e horários em uma tabela bem mais prática e opta por não poluir a página com informações sobre produção, diretor e elenco pra um público que não está interessado nisso, ao menos não no jornal.
As novidades
Jornalismo cultural é nulo
_“Vida” é o nome da editoria de cultura, comportamento e lazer. Infelizmente esse é o caderno mais mal aproveitado do novo Correio. Suas 14 folhas contam com apenas duas matérias (uma sobre as academias dedicadas apenas ao público feminino e outra sobre os fãs de João Gilberto que acabaram com os ingressos à venda do seu show no TCA em 41 minutos), e o resto é todo dedicado a trivialidades como divulgação dos mais caros réveillons de Salvador (meu deus, estamos em agosto ainda), uma retrospectiva dos 30 anos do Correio (cof cof), um perfil de Murilo Benício (sou só eu ou alguém mais quer saber por que Murilo Benício?) e uma nota sobre a Oi Fashion Music. O resto é o de sempre: programação de cinema, televisão e alguns poucos eventos que acontecem na cidade, em geral aqueles dos quais já ouvimos falar. Nada de comentários sobre livros, shows, filmes, peças ou outros espetáculos, nada de colunas que não a coluna social – com exceção, devo mencionar, da coluninha do Hagamenon Brito, o melhor colunista baiano, em minha opinião, sobre o fenômeno João Gilberto. Trocando em miúdos, o novo Correio em nada contribui para o jornalismo cultural na Bahia, que é tão pobre e mal aproveitado nos jornais impressos do estado. Lástima.
Versão online
_O site do Correio também mudou, mas não tem muita coisa por lá. O que mudou mesmo foi o visual, que acompanha a mudança do impresso, mas ainda tem que comer muito feijão com arroz pra ser um portal de referência no jornalismo baiano. Notícias de última hora são publicadas na editoria “24 horas” O destaque vai pro fato de a versão impressa poder ser lida gratuitamente através do site, e do investimento em blogs, uma tendência dos sites dos grandes jornais. O jornalista Hagamenon Brito ganhou um blog (graças a deus), o que despreocupa os fãs da sua agora extinta coluna “Parabólica”, já que parece que o blog manterá a mesma linha. No mais, o site interage com os leitores através de enquetes, fóruns, abusa de vídeos e fotos, permite comentários nas notícias, mas o clima é ainda de experimentações e testes, nada muito expressivo.



por Ana Camila
Se música fosse literatura, que histórias ela contaria? Foi a partir dessa pergunta que a dupla Danilo Corci e Ricardo Giassetti criou a Mojo Books, primeira editora de livros totalmente digital no Brasil. A idéia é simples e bem bacana. Sabe aquele disco que é o disco da sua vida? Sabe aquelas imagens que vêm na sua cabeça cada vez que o escuta? Ou ainda a história que aquele disco, por si só, conta com as suas músicas? Pois é, a Mojo Books publica histórias escritas com base em discos, por autores desconhecidos de todo o país.
Criada em
Disponibilizados em formato pdf, que você pode baixar após se inscrever no site, não se pode negar que os livros publicados pela Mojo Books oferecem muitas surpresas. Nem todos eles tratam de amores falidos ou do homem contemporâneo que já não vê sentido na vida, temas bastante queridos pela cultura pop. Há também histórias de terror, de ficção, amores tranqüilos... Como tudo na vida, há que garimpar, e o site da Mojo Books é cheio de atrativos, além de ser bastante auto-explicativo e visualmente bonito. Por lá você encontra Radiohead, The Doors, The Cure, Jimi Hendrix, Caetano Veloso, Pantera, Rita Lee, Ryan Adams, Morphine, Madonna... E a lista segue...
Os arquivos pdf contam com um apurado trabalho de diagramação visual, e, se você quiser imprimir, as folhas cabem exatamente numa capinha de cd, formando um encarte. Revelando uma particular atenção às possibilidades do meio digital, a equipe Mojo Books nada deixa a desejar em termos de criatividade visual e apuro técnico.
Books, singles e comics
Como a idéia é muito boa, a Mojo Books não parou só nos livros baseados em álbuns. Há também uma seção na qual os autores podem escrever contos ou pequenas narrativas sobre uma música somente. Em geral, a Mojo publica o livro do álbum de uma banda e o lança junto com uma história com base num single. Nessa última semana, o livro lançado foi “Without You I’m Nothing”, do Placebo, e o single “Every You Every Me”, cada um escrito por diferentes autores. O mais interessante é que você lê o conto na própria página da Mojo (não é necessário fazer download, como no caso dos livros), e ainda pode ouvir a música enquanto lê. Uma fitinha toca o single repetidamente, todo um detalhe visual e criativo oferecido pela editora.
Há também a seção Comix, que publica histórias em quadrinho com base em um disco ou uma música. Apesar de ser a parte menos produtiva do site (conta apenas com duas publicações), é talvez a mais criativa, principalmente num momento em que a produção de quadrinhos no Brasil está crescendo bastante.

Por Ive Deonísio
_Dentre as 11 produções brasileiras escolhidas para participar da mostra Short Film Córner, em Cannes, havia um filhote baiano. 10 centavos (19 min, 2007), é a menina dos olhos do diretor César Fernando de Oliveira. A primeira produção em 35 mm do diretor de 28 anos, narra, com poesia, a história de um pequeno guardador de carros no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. O garoto pobre enfrenta agruras para honrar a dívida de R$ 0,10.
_Antes de graduar-se em Cinema e Vídeo pela FTC em 2006, César Fernando de Oliveira cursou 1 ano e meio de Engenharia. Visionário, o futuro diretor já estava apostando no futuro. Ele queria mesmo era aprender a fazer contas para calcular quantas das moedinhas douradas eram necessárias para atingir R$ 100.000,00. Essa foi a quantia disponibilizada pelo Prêmio Braskem para realização do roteiro de curta-metragem “10 centavos”.
_De antemão ele me avisou que depois da indicação para Cannes as ações do seu tempo subiram de preço. Agora é taxa pra absolutamente tudo. Consegui um mega desconto, “só para amiga”, dez centavos a pergunta. Paguei com a minha moeda de R$0,50 (da fininha, modelo antigo), ainda tinha um plus: 1/6 de impostos. Ele também não quis parcelar, o esquema é : “não aceito fiado, favor não insistir”. Pois é companheiros, fiquei com 4 perguntinhas.
Trailer de 10 centavos:Blog da Lupa: A fotografia do filme recebeu grandes elogios, os planos soaram milimetricamente pensados. A opção pela câmera subjetiva revelou uma leitura minimalista de fatos que acontecem cotidianamente. Dessa forma, o filme sugere sensações ao espectador. Quais sentimentos você pretendia despertar?
César Oliveira: A principal idéia era que a obra tivesse um olhar crítico, mas que não fosse panfletário. O tom humano, a sutileza e a poesia deveriam permeiar todo o filme. Uma das razões é que a câmera quase sempre está na altura dos atores, além da opção de mostrar o reflexo e não a imagem direta da baía de Todos os Santos. Foi evitado também imagens "pasteurizadas" da cidade, fomos em busca de elementos que estão no nosso dia a dia e quase não são vistos, como a roldana ou os cabos do plano inclinado. A primeira metáfora vem desde o roteiro literário: o filme começa no Carmo, próximo ao Pelourinho e termina no subúrbio ferroviário. Realmente a maioria dos nossos problemas sociais começaram desde a época da colonização.
B L – A equipe mantinha cerca de 30 pessoas entre atores e técnicos. Todos os veteranos eram atores, apesar de haver estreantes no elenco. A parte técnica, por sua vez, era composta por jovens, muitos trabalharam pela primeira vez numa produção em 35 mm. Por que a opção por tantas pessoas relativamente novas no universo do cinema trabalhando no set de 10 Centavos?
C O - A idéia de trabalhar com pessoas que ainda não haviam composto o set de um filme em 35mm era justamente inserir-las no mercado. São pessoas novas no ramo, mas isso não quer dizer que não são talentosas. Às vezes fica difícil começar sem uma primeira experiência, mesmo possuindo talento. 10 Centavos foi uma experiência maravilhosa nesse sentido para todos nós.
B L- O roteiro do curta foi baseado num sonho, o filme tem uma atmosfera onírica belíssima, a arte e técnica também foram elogiadas pela crítica especializada. O resultado do bom trabalho já foi comprovado: 10 Centavos participou de inúmeros festivais. Entre eles os internacionais: Bilbao - Espanha, Algarve - Portugal, além de ter sido um dos representantes brasileiros no Short Film Corner do Festival de Cannes na França. 10 centavos ainda pode realizar algum sonho seu?
C O:10 Centavos realizou um de meus grandes sonhos, que era dirigir um filme de ficção, finalizado em 35mm, com toda uma equipe e seus departamentos específicos, como direção de arte, direção de fotografia, o pessoal da produção, o técnico de som... Antes dele, somente havia realizado vídeos sem uma equipe especializada. O filme está indo agora para o festival Internacional de Shangai, na China, e o Festival de Filmes para a Juventude, na Coréia. Ou seja, além do ocidente ele também está sendo reconhecido no oriente. Está, literalmente, cruzando o mundo, acredito que todas essas conquistas são méritos de toda a equipe envolvida na produção do curta. Dessa forma ele está realizando os sonhos de muita gente.
B L: Como nada escapa à pesquisa do Blog da Lupa, descobrimos que além de ser diretor, você já andou atuando na indústria cinematográfica. Quais são os seus projetos futuros? Pretende dar seqüência à carreira de ator?
C O: Com certeza me sinto mais seguro atrás das câmeras, acho que sou meio canastrão como ator (risos). Tenho outro curta-metragem em mente, mas ainda em fase de projeto.
Capa da Lupa 4 - Ilustração de Ricardo Takeru
Tarcízio Silva (repórter da lupa e editor de arte da revista Fraude) e Marcel Ayres (repórter da Lupa e editor do Blog), este que vos escreve. "Cada um vendendo o seu peixe"